A universitária Izabel Lourenço, de 26 anos, diagnosticada com a doença de Wilson, superou um ano acamada e a dependência de cadeira de rodas para retomar sua autonomia. Atualmente, cursa agronomia na Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Gurupi, e busca inspirar outras pessoas a não desistirem de seus sonhos. Com apoio médico, fonoaudiológico e da educação física, ela conseguiu recuperar parte dos movimentos e agora tem um novo objetivo: correr ao lado de seu cachorro, “Bigolzinho”.
“Fiquei um ano assim. Daí chegou um momento da minha vida que eu falei: ‘não, não quero isso aqui para a minha vida, não. Vamos reagir, Izabel, vamos reagir’. Muitas pessoas têm mais saúde do que eu e não correm atrás dos seus objetivos. Eu tinha tudo para ficar dentro de casa, parada. Mas não. Eu pensei: ‘vou vencer na vida’. Estou correndo e estou conseguindo. Isso aqui é uma superação”, contou Izabel ao G1.
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A doença de Wilson, diagnosticada quando ela tinha 19 anos, fez com que precisasse abandonar o trabalho de assistente administrativa. Os sintomas, como fraqueza intensa e dificuldades motoras, foram inicialmente confundidos com depressão por diversos médicos. “Começou com uma fraqueza, minha letra estava piorando, não dava conta de escrever. Qualquer coisinha eu caía, levava uma queda. Eu passei a ficar acamada, na cadeira de rodas, não falava, não escovava minha boca sozinha, não tomava banho sozinha. Para tudo precisava de alguém. Os médicos diziam que era depressão e estresse. Até tinha desistido de ir aos médicos em Gurupi. Daí minha tia falou para eu ir em uma psiquiatra”, explicou.
A psiquiatra foi a primeira a levantar a hipótese da doença, posteriormente confirmada por exames. Com o diagnóstico correto, Izabel iniciou musculação, fisioterapia e acompanhamento fonoaudiológico, o que permitiu que voltasse a andar. “Eu não gostei de ter essa doença. Aceitar a gente até aceita, agora gostar de ter a doença, não. Até um certo ponto da minha vida eu tinha vergonha da doença”, afirmou.
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A escolha pelo curso de agronomia surgiu de uma inspiração inesperada: “Eu me apaixonei pelo campo através dessa novela [‘Terra e Paixão’]. Na época estava aberta a inscrição para o vestibular para agronomia e daí me inscrevi. Fiz a prova e passei. Estou gostando, estou me identificando”.
A adaptação à vida universitária contou com o apoio da irmã Maria Lourenço, de 18 anos, que foi designada como sua cuidadora na UFT. “Minha irmã ali para mim é um anjo. Tem vezes na sala de aula que eu quero dar a minha opinião para outras pessoas. E lá ninguém entendia o que eu falava e minha irmã entende tudo o que eu falo. Tem vezes que eu falo e nem eu mesma entendo, mas minha irmã entende”, brincou Izabel.
Maria também tem a doença de Wilson, diagnosticada precocemente aos 14 anos. “Minha irmã, eu vejo ela como exemplo para mim. Eu amo muito ela, do fundo do meu coração. Quando ela passou no vestibular, eu fiquei com muito medo, pensando ‘nossa, como minha irmã vai fazer para se cuidar lá na faculdade’. Minha mãe também ficou com medo. Mas deu certo. A notícia de que ela ia ter uma cuidadora e depois ficou sabendo que eu poderia ser também… Aí foi um alívio na nossa vida. Eu amo muito cuidar dela”, revelou.
Fã do Flamengo, Izabel homenageou o jogador Gabriel Barbosa, apelidado de Gabigol, dando seu nome ao cachorro que adotou. “Gabigol é tudo para mim. No início da doença os médicos falavam que eu não ia poder ter filhos por causa da doença. Meu filho poderia nascer com a mesma doença que a minha. Daí pensei: ‘vou adotar um cachorrinho então’. Hoje em dia eu posso ter filhos”, explicou.
Agora, seu maior sonho é simples, mas cheio de significado: “Quero conseguir correr com o meu ‘Bigolzinho'”.
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