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Bebê de 1 ano recebe transplante de coração após viver com dispositivo artificial: “Doação de órgãos é um ato de amor”

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Aurora, de apenas 1 ano, enfrentou uma grave cardiomiopatia genética antes de conseguir um transplante de coração, em julho deste ano. Natural de Belo Horizonte (MG), a menina passou por longas internações, chegou a usar um coração artificial e hoje se recupera em casa ao lado da família.

Segundo a mãe, Rochane Nayara Soares Lopes, a gestação não apresentou sinais da doença. Aurora nasceu em 29 de maio de 2024, de cesariana, após indução devido à diabetes gestacional. “Ao nascer, precisou de oxigênio por algumas horas. Quando a peguei pela primeira vez, senti que meu mundo parou, nada mais importava além dela. Logo já estava mamando e recebemos alta em 48 horas, sem complicações”, disse à Crescer.

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Os primeiros meses foram tranquilos, até que, em fevereiro de 2025, a menina apresentou mal-estar. “Inicialmente, acharam que fosse infecção urinária, mas os exames deram negativo e fomos mandados para casa”, relembrou. Dias depois, o quadro se agravou. “Percebi que ela estava cansada, com suor frio e sem querer mamar ou comer. Avisei o pediatra e a levei a um pronto atendimento”, contou.

Exames mostraram que o coração de Aurora estava aumentado, e ela foi levada diretamente para a UTI, entubada e medicada em altas doses. “O coração não estava bombeando bem”, disse Rochane. A internação durou 21 dias, com complicações, infecções e paradas cardíacas. Inicialmente, os médicos suspeitaram de uma cardiomiopatia viral.

Em abril, Aurora voltou a passar mal e precisou novamente ser internada na UTI. No mês seguinte, foi transferida para um hospital de referência em São Paulo. O teste genético revelou a mutação no gene FLNC – Filamina C, associada a casos de cardiomiopatia dilatada. “Costuma afetar adultos entre 30 e 50 anos, além de adolescentes, sendo extremamente raro em bebês”, explicou a mãe.

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Diante do quadro, os médicos alertaram sobre a necessidade de transplante. “No primeiro momento, foi um pânico absoluto. Eu e meu esposo ficamos desolados — Aurora sempre foi uma criança muito desejada, alegre e carinhosa. Pensar que a vida dela dependia de um transplante e da doação de outra família foi devastador”, relatou.

Em junho, a menina apresentou arritmias graves e foi conectada à ECMO, equipamento que substitui temporariamente a função cardíaca e pulmonar. Poucos dias depois, recebeu o Berlin Heart, um coração artificial que manteve seu organismo até a chegada do órgão compatível. “Antes, Aurora esteve 58 dias entubada e o Berlin ajudou a reestabelecer várias funções dos demais órgãos. Com isso, ela conseguiu sair do tubo mais rápido, seguir reabilitando e voltando até a comer melhor”, contou a mãe.

Após 42 dias de espera, veio a notícia de que Aurora receberia um coração. “Foi de madrugada, às 4h21 do dia 17 de julho. A médica me ligou falando sobre um possível doador. Pediu que eu não fosse correndo para o hospital, mas às 6h eu já estava lá. Foi um misto de lágrimas, gratidão e energia positiva de toda a equipe. Eu assisti ao helicóptero pousar com o coração e ali tive a certeza: era real”, relembrou.

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O transplante foi realizado na mesma tarde e a recuperação surpreendeu os médicos. “Aurora está ganhando peso, quase andando e se alimentando bem. Está sorridente, brincalhona e redescobrindo o mundo. Toda vez que olhamos para ela, sentimos um grande sentimento de gratidão de ver ela readaptando as rotinas e interagindo com as pessoas. O sorriso dela é algo que não podemos descrever depois de tudo o que passamos”, disse a mãe.

Em agosto, Aurora recebeu alta e voltou para casa. Rochane reforçou a importância da doação de órgãos. “Nossa gratidão imensa à família doadora que, em meio à dor do seu luto, escolheu presentear com a vida nova tanto a Aurora quanto a outras crianças. Optar pela doação de órgãos é um ato de amor ao próximo”, afirmou.

Para a família, a história da pequena simboliza esperança. “O coração de um pequeno anjo vive em Aurora, pulsando e dando a ela a liberdade de ter uma infância feliz. Seguimos firmes na causa de doação de órgãos infantil. O mundo precisa entender que crianças também salvam vidas lá fora”, concluiu Rochane.

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