O Grupo Globo concentrou quase metade de todo o valor gasto pelo governo federal com publicidade na televisão desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo dados compilados pelo portal Poder360 a partir do Sistema de Comunicação de Governo (Sicom). As cifras mostram que, até o final de 2025, os canais ligados ao conglomerado receberam cerca de R$ 461,5 milhões em verbas publicitárias do Executivo federal, o que representa 49,4% da fatia total destinada à TV.
O levantamento considera apenas os gastos com publicidade estatal pela administração direta ou seja, os repasses feitos pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e pelos ministérios, e não inclui valores investidos por empresas estatais, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, que mantêm publicidade própria.
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Segundo os números divulgados pelo Poder360, ao longo dos três primeiros anos do governo Lula os canais da Globo foram os únicos entre as principais emissoras de TV a ampliar sua participação nas verbas publicitárias estatais. Em 2023, os canais do grupo receberam R$ 175,5 milhões, em 2024 foram R$ 169,8 milhões, e em 2025 já totalizavam R$ 116,3 milhões até o momento dos registros disponíveis.
Em comparação, emissoras concorrentes como Record, SBT e Band viram sua participação na distribuição dessas verbas diminuir significativamente. No governo anterior, sob a gestão de Jair Bolsonaro (PL), a participação da Globo na publicidade estatal televisiva nunca ultrapassou 30% do total, com os recursos sendo mais equitativamente divididos entre as principais redes.
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Os dados também mostram que, apesar de a televisão ainda ser o meio que concentra a maior parcela dos investimentos publicitários do governo federal, a publicidade digital tem crescido rapidamente. Conforme o mesmo levantamento, a participação da internet no total de anúncios estatais subiu de cerca de 18,5% em 2023 para mais de 35% em 2025, embora valores parciais ainda estejam sendo atualizados.
A Secom informou em outros contextos que a distribuição dos recursos é pautada por critérios técnicos e pelo alcance dos meios de comunicação, mas a concentração de quase metade das verbas em um único grupo de televisão tem gerado debate entre analistas políticos e setores da imprensa sobre critérios de distribuição e transparência nos repasses públicos.

