O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surpreendeu o cenário político ao convocar, fora da agenda oficial, uma reunião com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, para discutir os desdobramentos das investigações sobre o escândalo financeiro que envolve o Banco Master. De acordo com informações da UOL, encontro ocorreu no Palácio do Planalto e sinaliza a intenção do chefe do Executivo de acompanhar de perto o caso, que vem ganhando alta repercussão institucional e na mídia.
A reunião acontece em meio a uma nova fase de operações da Polícia Federal, que já cumpriu mandados de busca e apreensão e apreendeu bens de empresários ligados ao Master, como Daniel Vorcaro e Nelson Tanure, em investigação que mira organização criminosa, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro no âmbito da instituição financeira.
Segundo o Diario do Centro do Mundo, os assessores presidenciais dizem que Lula está buscando soluções rápidas para o caso, sem, no entanto, gerar um atrito direto com o Supremo Tribunal Federal (STF), onde parte das ações sobre o tema está em tramitação sigilosa. O presidente também conversou com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçando a coordenação entre os órgãos do Estado diante da complexidade das apurações.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após constatar graves violações das normas do sistema financeiro, e desde então tem sido alvo de intenso escrutínio por parte da PF e de instâncias judiciais superiores. A investigação entrou em uma segunda etapa com ordens de operação que atingem atores relevantes no setor financeiro.
Entretanto, parte das medidas da Polícia Federal relacionadas ao caso tem sido questionada por autoridades do STF, especialmente pelo ministro Dias Toffoli, que teria ordenado a guarda de materiais apreendidos sob sigilo, dificultando o acesso dos investigadores a informações como celulares e computadores. Isso gerou uma insatisfação formal da PF, citada nos bastidores da reunião com Lula.

