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Após perder a mãe, adolescente canaliza dor pintando retratos gratuitos para famílias em luto

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Hugh Saetia, 16 anos, leva conforto a famílias enlutadas com retratos gratuitos. (Foto: Instagram)

Aos 16 anos, Hugh Saetia dedica seu tempo a algo pouco comum na adolescência: ele pinta retratos de pessoas queridas que já partiram e os entrega gratuitamente a famílias enlutadas. Cada obra busca dar forma concreta à memória de quem se foi, oferecendo um objeto que, mesmo silencioso, carrega a presença e a importância daquele retratado. Para Saetia, cada pincelada reforça a ideia de que a vida do ente amado não será esquecida e que sua passagem deixou marcas profundas naqueles que ficaram.

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A motivação para esse gesto veio de sua própria experiência: aos seis anos, ele perdeu a mãe para um câncer gastrointestinal. Na ausência dela, sua babá, Marilyn Mcallister, assumiu o papel de referência materna. Quando Mcallister sofreu a dor de enterrar o próprio filho, Saetia, então com 14 anos, percebeu que não possuía palavras ou recursos financeiros para consolá-la. Foi o pai quem sugeriu: “Por que você não pinta um retrato dele?” Ao entregar a pintura, o adolescente viu nas lágrimas de gratidão de Marilyn a certeza de que havia encontrado algo capaz de minimizar, ainda que por instantes, o vazio deixado pelo luto.

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Impulsionado por esse momento, Saetia criou a The Eternal Canvas Foundation, uma pequena organização sem fins lucrativos dedicada a oferecer retratos sem custos. Desde então, ele pintou mais de 50 obras distribuídas em famílias que necessitam de um suporte afetivo para guardar lembranças tangíveis de quem amaram. A fundação funciona a partir de materiais doados e do empenho integral do próprio jovem, que assume todas as despesas com telas, tintas e molduras.

Em cada pintura, Hugh busca capturar não apenas semelhanças físicas, mas também traços de personalidade e emoções que representem o legado de seus sujeitos. A escolha de cores, a luz e o grau de detalhe na face do retratado são pensados para transmitir esperança e conforto. Essa atenção aos mínimos detalhes ajuda a transformar uma simples tela em um ponto de apoio para quem enfrenta a instabilidade emocional causada pela perda.

Entre os pedidos atendidos está o do casal Jim e Ashley Savela. O filho deles, Ford, morreu há um ano em um atropelamento no mesmo dia em que teve início o incêndio nas encostas dos Palisades. Em meio ao caos dos desastres, a tristeza pela perda de Ford acabou ficando em segundo plano. Ao receber o retrato pintado por Saetia durante sua cerimônia memorial, Ashley sentiu que não apenas as lembranças, mas também sua dor ganharam um espaço digno de atenção.

Segundo Ashley, a pintura prova que a existência de Ford foi real e significativa: “Às vezes, a mente prega peças e faz parecer que ele nunca existiu. Aqui está a prova de que ele foi visto, amado e importou.” Para Jim, a iniciativa de Hugh traduz empatia: “Só quem já viveu uma perda profunda entende o peso desse momento e age para honrar quem partiu.” Ao recusar qualquer pagamento e manter o projeto funcionando por esforço próprio, Hugh Saetia demonstra que a solidariedade, aliada à arte, pode se tornar uma valiosa ferramenta de cura no processo de luto.

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