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Homem de 80 anos some no mar ao praticar pesca submarina na costa da Flórida e retorna milagrosamente

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Aventura e superação nas Florida Keys: 80 anos à deriva por 18 horas (Foto: Instagram)

Ignacio Siberio, então com 80 anos, zarpou em seu barco de 7,6 metros aproximadamente sete milhas náuticas a partir das ilhas Florida Keys para fazer pesca submarina com arpão. Era 11 de dezembro de 2005, e ele, além de advogado civil experiente, era um mergulhador habilidoso que costumava caçar peixes ao lado do sobrinho.
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No dia marcado, porém, o sobrinho não pôde acompanhá-lo, e Siberio decidiu ir sozinho mesmo diante de rajadas fortes de vento e ondas agitadas. A pesca submarina exige que o mergulhador confie em seus equipamentos — como coletes de flutuação, arpão e mecanismo de fixação da âncora — e esteja atento às correntes do Straits of Florida, canal de correnteza intensa entre a Flórida e as Bahamas.
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Após caçar por cerca de três horas, Siberio decidiu regressar ao barco para guardar o arpão e os peixes capturados. Ao emergir, no entanto, encontrou apenas o mar revolto: seu barco havia se desprendido das âncoras devido a um sistema de fixação mal ajustado aliado ao avanço de uma frente de tempestade. A centenas de metros de distância, a embarcação flutuava impotente sobre as águas agitadas.

Exausto, o mergulhador tentou nadar na direção do barco, mas as correntes o empurravam em sentido contrário. Temendo ser levado para longe, Siberio passou a boiar em posição vertical, mantendo o rosto fora d’água para respirar. O dia cedia lugar à noite, e as temperaturas despencaram. Para resistir, ele prendeu o máximo possível o controle da respiração e concentrou-se para não entrar em pânico — técnica fundamental para conservar energia quando se pratica o chamado treading water, ou “boiar taticamente”.

Durante o crepúsculo, ele avistou um grupo de cinco boias de marcação de redes, cada uma com cerca de 30 cm de comprimento, presas a um cordame. Nadou até elas e enrolou-as ao corpo, assegurando-se de manter a cabeça sempre acima da linha d’água. O frio noturno exigia esforço extra: a hipotermia seria mortal se ele se perdesse na imensidão do oceano.

Enquanto prolongava sua resistência, seu sobrinho e um amigo mobilizaram uma busca frenética, acionando a Guarda Costeira dos EUA para vasculhar as áreas favoritas de pesca. Eles continuaram revendo os pontos de mergulho conhecidos até avistarem uma silhueta se movendo lentamente na água. Quando o resgate finalmente chegou, encontraram Siberio prestes a encostar na terra firme: haviam se passado 18 horas desde o desaparecimento.

Ao desembarcar em Tavernier, na Flórida, recusa­-se a ir ao hospital e se reuniu com a mulher, Gloria, de 68 anos. Impressos pelas imagens da pesca submarina, amigos e familiares celebraram o retorno. Nos meses seguintes, Siberio voltou ao mar — embora tenha admitido a jornalistas: “Aprendi que não devia ter ido sozinho naquele dia”. Sua história ilustra a importância de respeitar as forças do mar, utilizar encaixes de âncora adequados e contar sempre com uma equipe de apoio ao praticar esportes aquáticos.

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