
Exercícios de caligrafia cursiva em caderno escolar simbolizam retorno da disciplina nas salas de Nova Jersey. (Foto: Instagram)
Em 19 de janeiro, o governador Phil Murphy sancionou uma lei estadual que estabelece a obrigatoriedade do ensino de escrita cursiva para estudantes do terceiro ao quinto ano em todas as escolas públicas de Nova Jersey. A medida foi aprovada como um dos últimos atos de seu mandato, pouco antes da posse de Gov. Mikie Sherrill em 20 de janeiro.
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Segundo o comunicado oficial, “o retorno ao ensino da escrita cursiva é especialmente significativo enquanto Nova Jersey celebra o 250º aniversário da fundação de nosso país – oferecendo aos alunos habilidades para ler documentos históricos, abrir conta bancária ou assinar cheques, além de proporcionar benefícios cognitivos”, afirmou Phil Murphy. Ele ressaltou ainda que “devemos garantir aos estudantes uma educação completa, permitindo-lhes compreender nossa rica história e formar futuros líderes competentes”.
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A partir do início do próximo ano letivo, a nova lei de Nova Jersey exigirá que as salas de aula dediquem parte do currículo à prática da cursiva, tanto na escrita legível quanto na leitura desse estilo. A senadora Angela McKnight, co-patrocinadora do projeto, observou que “a instrução da caligrafia incentiva melhor retenção e compreensão das informações, além de promover autoconfiança e preservar a conexão com a comunicação escrita em um mundo cada vez mais digital”. A proposta recebeu amplo apoio no Legislativo, confirmando o interesse em resgatar essa habilidade.
A senadora estadual Shirley Turner, autora de uma das emendas, destacou ao NJ.com que “a escrita cursiva é uma competência atemporal e essencial, e deve voltar a fazer parte do currículo escolar”. Segundo ela, a medida vai além da simples prática caligráfica, pois resgata uma forma de expressão que manteve gerações em contato com documentos de valor histórico e cultural.
No início da década de 2010, Nova Jersey adotou os Padrões Comuns (Common Core), tornando o ensino de manuscrita opcional. Dados de Education Week apontavam que apenas 24 estados dos EUA exigiam o ensino de cursiva antes da mudança em Nova Jersey, número que representa menos da metade dos estados que mantinham essa exigência entre 25 e 30 anos atrás. Com a nova legislação, o estado soma esforços para reverter essa tendência de desvalorização da escrita manual.
Em paralelo à volta da caligrafia nas escolas, o U.S. National Archives and Records Administration lançou, em 16 de janeiro, um chamado a voluntários que saibam ler e transcrever manuscritos cursivos de mais de dois séculos de documentos históricos. Suzanne Isaacs, gerente de comunidade do National Archives Catalog, explicou que “ler escrita cursiva é um superpoder”, e que os voluntários auxiliam em missões para identificar, etiquetar e digitalizar registros de valor inestimável. Essa iniciativa reforça a importância de resgatar o domínio da cursiva, não só em âmbito escolar, mas também na preservação do patrimônio documental.

