
Ursos-polares de Svalbard desafiam derretimento do gelo e ganham peso (Foto: Instagram)
Um estudo liderado por Jon Aars, do Norwegian Polar Institute, chamou a atenção ao mostrar que Polar Bears na região de Svalbard continuam apresentando boa saúde e aumento de peso, mesmo com o declínio acentuado do gelo marinho causado pelas mudanças climáticas. Enquanto a maior parte das previsões indicava que a diminuição da cobertura de gelo tornaria a caça mais difícil e deixaria os ursos mais magros, os pesquisadores encontraram resultados contrários à expectativa inicial.
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A pesquisa, publicada no jornal Scientific Reports, acompanhou o índice de condição corporal de quase 800 ursos-polares entre 1992 e 2019, cruzando dados de peso e gordura com o relógio das estações de gelo. Durante esse período, o número de dias sem gelo aumentou em cerca de 100 dias por ano, mas, surpreendentemente, os animais continuaram a acumular reservas de gordura e a manter um tamanho corporal estável, contrariando a lógica de que menos gelo significaria menos oportunidades de caça e menor disponibilidade de presas.
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Jon Aars, autor principal do estudo, relatou a veículos como CBS News e New York Times que, no início, esperava observar ursos progressivamente mais fracos, com menos gordura e impactos diretos na reprodução e sobrevivência. “Se me perguntassem o que eu achava que iria acontecer, diria que eles ficariam mais magros e teriam problemas para se reproduzir”, disse Aars. “Eu estava errado.”
Para avaliar as mudanças nos ursos, a equipe de cientistas usou o índice de condição corporal, que combina medidas de peso e teor de gordura, e comparou esse índice com a extensão do derretimento do gelo marinho. À medida que o gelo recuou em torno de Svalbard, os dados não só não mostraram perda de massa corporal como indicaram ganho de reservas de gordura, reforçando o vínculo entre um urso “gordo” e sua saúde geral.
Parte dessa adaptação, segundo Aars, deve-se à diversificação da dieta. Tradicionalmente, Polar Bears capturam focas e consomem outros mamíferos e aves. Entretanto, com o recuo do gelo, alguns indivíduos começaram a explorar recursos terrestres, alimentando-se de renas e morsas — cuja caça esteve sob proteção nas últimas décadas — e até consumindo ovos de aves que antes eram pouco aproveitados.
“Fiquei bastante surpreso, pois perdemos tanto gelo desde que comecei minhas pesquisas em 2003”, afirmou Aars. Ele conclui que esses ursos podem precisar de menos gelo do que supúnhamos, demonstrando flexibilidade comportamental para enfrentar mudanças no habitat. “[Polar Bears] sempre conseguiram tirar o melhor da situação e encontrar novas formas de sobreviver.”
Apesar dos achados otimistas, o pesquisador alerta que esse ganho de peso pode ser temporário. O Ártico aquece várias vezes mais rápido que o restante do planeta, e no Mar de Barents — que banha Svalbard — a temperatura subiu 2 °C desde 2000, com redução de gelo mais acelerada do que em qualquer outra área habitada por esses ursos.
Jon Aars ressalta a necessidade de estudos mais amplos para entender como outras populações de Polar Bears estão reagindo ao aquecimento global e se a dieta baseada em renas e morsas garantirá suprimento contínuo de energia. “Os ursos ainda estão lidando bem com a situação atual, mas as previsões indicam que vamos perder gelo rapidamente em Svalbard”, ponderou. “Haverá um ponto de inflexão em que veremos os ursos perderem peso e enfrentarem dificuldades para se manter e se reproduzir, mas não sabemos quando isso acontecerá — em cinco, dez ou vinte anos.”

