
Mortandade de salmões em fazendas da Tasmânia após elevação da temperatura e surto bacteriano (Foto: Instagram)
Mais de quatro milhões de salmões cultivados em fazendas da Tasmânia morreram antes do tempo em 2025, de acordo com dados recém-divulgados pela Tasmania’s Environmental Protection Authority (EPA). O relatório, publicado em 23 de janeiro, revela que aproximadamente 20 mil toneladas métricas de peixes não chegaram ao abate programado, um volume que inclui cerca de 2,5 mil toneladas registradas apenas em novembro e dezembro. A alta mortalidade coincidiu com a elevação da temperatura das águas do sul, intensificando riscos à saúde dos peixes.
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Segundo o Tasmania Inquirer, entre os meses finais de 2025 houve recorde de quase meio milhão de mortes, enquanto os salmões de fazendas da Tassal, maior produtora local, lutavam para se adaptar às condições adversas. Em 24 de janeiro, a empresa autorizou o uso de ração medicada com o antibiótico Florfenicol em tanques próximos à Bruny Island, um tratamento aprovado no ano anterior para combater surtos da bactéria Piscirickettsia salmonis. A Tasmanian Department of Health orientou pescadores recreativos a evitar o consumo de peixes selvagens capturados num raio de 2 milhas marítimas das fazendas durante 21 dias após a aplicação do medicamento.
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Pesquisas científicas indicam que o salmão-do-atlântico começa a apresentar graves problemas de saúde quando a temperatura da água se aproxima de 18 °C, nível em que diminui o oxigênio dissolvido e aumentam riscos de danos a órgãos e vulnerabilidade a doenças. Nos períodos em que o termômetro marinho superou essa marca no verão do hemisfério sul, a mortalidade diária chegou a ultrapassar 40 toneladas, quase três vezes mais que a média entre julho e outubro, conforme monitoramento da EPA.
Para o pesquisador Stewart Frusher, aposentado da University of Tasmania’s Institute for Marine and Antarctic Studies, a escalada das mortes em dezembro sinaliza “problemas mais profundos” no modelo de produção. “Estamos essencialmente em um ponto em que as águas do sudeste da Tasmânia não são adequadas para a criação de salmão”, afirmou. Já Tasmania’s Chief Veterinary Officer, Kevin de Witte, declarou que o principal agente causador das perdas foi a bactéria Piscirickettsia salmonis — endêmica na região e sem risco à saúde humana ou à segurança dos alimentos — e destacou investimentos do setor em pesquisas para novas vacinas.
Enquanto isso, a campanha em defesa do ambiente, liderada por Jess Coughlan, da organização Environment Tasmania, critica o crescente recurso a antibióticos e a falta de punições mais severas. “As penalidades devem ser aplicadas, como ocorre na Noruega, para impedir que essas taxas de mortalidade se tornem o novo normal”, disse Coughlan. Segundo ela, a Tasmania’s Animal Welfare Act proíbe práticas que causem dor ou sofrimento desnecessário aos animais, mas faltam regulamentações específicas para mortes em larga escala de peixes.
O cultivo de salmão em cativeiro é considerado uma alternativa para suprir a demanda global por proteína marinha, mas traz desafios ambientais e sanitários. Historicamente, a Tasmânia cresceu como polo produtivo graças às águas frias e cristalinas, porém as mudanças climáticas têm elevado gradualmente a temperatura costeira. Além disso, o uso prolongado de antibióticos e ração medicada em parâmetros insuficientes de monitoramento pode agravar a resistência bacteriana e comprometer o ecossistema marinho local.

