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Dois meses após invasão pelos EUA e captura de Nicolás Maduro, Venezuela busca reorganizar economia e recuperar produção de petróleo

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Bandeiras de Venezuela e Estados Unidos rasgadas ilustram a tensão política e econômica pós-intervenção americana. (Foto: Instagram)

Dois meses após a invasão promovida pelos EUA e a captura de Nicolás Maduro, a Venezuela tem adotado medidas para reorganizar sua economia debilitada e retomar a produção de petróleo em níveis mais próximos aos patamares históricos. O governo interino passou a implementar planos emergenciais para reativar refinarias ociosas, renegociar dívidas externas e atrair investimentos estrangeiros, na tentativa de minimizar o colapso econômico que se aprofundou nos últimos anos sob a gestão de Maduro.

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A queda da produção de petróleo venezuelano, que chegou a 3 milhões de barris por dia na década passada e atualmente opera em menos da metade dessa capacidade, reflete anos de subinvestimento na estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), sanções internacionais e instabilidade política. Sob o comando de Nicolás Maduro, o setor foi marcado por sucessivos apagões energéticos nas refinarias e escassez de matéria-prima para exportação. Agora, engenheiros e técnicos do Estado trabalham na manutenção emergencial de unidades como El Palito e Cardón, ambas responsáveis por grande parte da capacidade refinadora nacional.

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Historicamente, a Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, superando inclusive a Arábia Saudita em volume estimado de óleo pesado e extra-pesado. Desde sua adesão à OPEP na década de 1960, o país alternou períodos de nacionalização do setor com tentativas de atração de empresas estrangeiras para modernização de poços e gasodutos. O desafio atual, porém, é compatibilizar retomada produtiva com as condições de mercado global, preços do barril e custos de extração em jazidas de difícil acesso.

Para reorganizar as finanças públicas, a administração pós-Maduro adotou um pacote de ajustes fiscais que inclui a eliminação gradual de subsídios extremos, a flexibilização cambial e o corte de benefícios previdenciários insustentáveis. Paralelamente, negociações com credores internacionais buscam refinanciar o estoque de títulos da dívida externa a juros mais baixos, enquanto observadores econômicos monitoram de perto as ações do Banco Central da Venezuela para controlar a inflação, ainda em níveis de quatro dígitos ao ano.

O restabelecimento do fluxo de caixa gerado pela venda de petróleo é considerado fundamental para recuperar serviços básicos, como fornecimento de energia elétrica e abastecimento de água — áreas que sofrem com constantes interrupções. Analistas do setor energético estimam que, caso as primeiras refinarias retornem ao funcionamento regular até o final do trimestre seguinte, a produção poderá subir até 20%, impulsionando receitas em dólares e possibilitando investimentos em infraestrutura social. Contudo, a eficácia dessas medidas dependerá da estabilidade política interna e do comportamento dos preços internacionais do petróleo, fatores que continuam sob forte influência das decisões dos EUA e das cotações estabelecidas pela OPEP.

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