
Chiara Jaconis sorri durante passeio em Nápoles pouco antes de ser atingida por estatueta em queda fatal (Foto: Instagram)
As estreitas ruas do Bairro Espanhol, em Nápoles, são famosas por sua intensa atividade cultural e o constante fluxo de turistas. Em setembro de 2024, Chiara Jaconis, uma turista italiana de 30 anos que residia na França e gerenciava uma unidade da Prada em Paris, passeava por essa área histórica. Ela comemorava seu trigésimo aniversário na companhia do namorado, Livio Rousseau. O que era para ser um passeio festivo se transformou em tragédia quando um objeto caiu diretamente sobre ela.
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Câmeras de segurança capturaram o momento em que Chiara caminhava à frente de Livio. De repente, uma estatueta de ônix pesando cerca de 2 quilos atingiu sua cabeça sem qualquer aviso.
O objeto caiu de uma altura estimada de 10 metros, ganhando velocidade suficiente para se despedaçar ao tocar o solo. Rousseau foi visto gritando "Chiara" e "meu deus" enquanto corria para socorrê-la e pedia ajuda aos moradores locais. Chiara Jaconis sofreu lesões cerebrais severas e faleceu no hospital dois dias depois do incidente.
A investigação policial revelou que o objeto foi lançado da sacada de um hotel por um adolescente de 13 anos. Na Itália, a responsabilidade criminal começa aos 14 anos, o que impede que o jovem seja responsabilizado judicialmente.
Diante dessa limitação legal, os promotores voltaram sua atenção para os pais do adolescente, de 65 e 54 anos. A acusação é de homicídio culposo por negligência, argumentando que os pais deveriam ter supervisionado o filho.
O histórico do menor e a acusação
A promotoria incluiu no caso informações sobre o comportamento anterior do adolescente. Relatos indicam que ele já teria o hábito de arremessar objetos de locais altos, como sacadas. Entre os itens lançados anteriormente estavam pregadores de roupa, um controle remoto e até um tablet. Por isso, o Ministério Público considera que os pais falharam em seu dever de vigilância, permitindo que uma situação perigosa culminasse no trágico incidente com a estatueta de ônix.
O prefeito de Nápoles, Gaetano Manfredi, expressou-se publicamente sobre o ocorrido. “É uma grande dor, uma tragédia que nos afeta profundamente”, declarou. Da mesma forma, Sergio Giordani, prefeito de Pádua, cidade natal da vítima, classificou a morte como “absurda e trágica”. O caso gerou grande comoção nacional, especialmente pela natureza evitável do evento.
A defesa dos pais e o processo judicial
Os pais do adolescente negam qualquer responsabilidade ou irregularidade relacionada à morte de Jaconis. O advogado do casal, Carlo Bianco, afirmou que a estatueta nem sequer pertencia a eles. “Esta é uma tragédia que atingiu duas famílias respeitáveis, a da pobre Chiara e a dos dois profissionais”, declarou o advogado em um comunicado oficial. A defesa chegou a solicitar que o caso criminal contra o filho fosse reaberto para que ele pudesse limpar seu nome no tribunal por meio de provas, e não apenas pelo benefício da idade.
Gianfranco Jaconis, pai de Chiara, vê o indiciamento dos pais do jovem como um avanço necessário. “Não nos recompensa nem nos satisfaz, porque temos uma jornada dura e tortuosa pela frente. Mas é um começo”, comentou Gianfranco.
Ele acrescentou que “o único consolo que nos ajudará a enfrentar esta nova jornada tortuosa, composta por audiências, depoimentos e interrogatórios, é que estamos finalmente chegando à verdade – aquela que sempre buscamos”. Uma audiência preliminar foi marcada para 26 de junho para decidir se o caso seguirá para julgamento oficial.


