
Pico do Cabugi, o monumento vulcânico do RN (Foto: Instagram)
No coração do sertão potiguar, uma figura imponente se destaca na paisagem plana da caatinga, chamando a atenção de quem passa pela BR-304, no Rio Grande do Norte.
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O Pico do Cabugi, situado em Angicos, não é apenas uma montanha isolada, mas sim o remanescente de um dos eventos geológicos mais significativos do Brasil. Com cerca de 590 metros de altura, esta formação é um testemunho de um tempo em que a terra literalmente fervia no Nordeste.
Contrariando o que muitos pensam, o Brasil possui sim estruturas de origem vulcânica, e o Cabugi é a mais bem preservada. Geólogos afirmam que ele se formou há cerca de 25 milhões de anos, durante o período Terciário.
Naquela época, o magma rompeu a crosta terrestre, mas o que vemos hoje não é o cone externo do vulcão. O tempo e a erosão desgastaram as camadas superficiais de terra e cinzas, deixando à mostra apenas a chaminé central, onde a lava se solidificou em um tampão de rocha basáltica extremamente resistente.
Essa característica faz do local um exemplar raro de "neck" vulcânico, ou gargalo vulcânico. A estrutura é tão robusta que sobreviveu ao processo de desgaste natural que nivelou o restante do terreno ao seu redor. Para os pesquisadores, o Cabugi funciona como uma cápsula do tempo geológica, permitindo o estudo da atividade magmática que moldou parte do relevo brasileiro em épocas remotas.
O mistério do vulcão do sertão
A fama do Pico do Cabugi atravessa gerações e alimenta o imaginário local. Muitos visitantes acreditam estar diante de um vulcão pronto para despertar, mas a ciência garante que ele está extinto há milhões de anos.
A última vez que aquela chaminé viu lava incandescente, o cenário ao redor era completamente diferente do atual semiárido. A presença de rochas basálticas escuras contrasta fortemente com o solo claro e a vegetação acinzentada da caatinga, criando um impacto visual que atrai aventureiros e geólogos de várias partes do mundo.
O acesso ao pico é protegido pelo Parque Estadual do Pico do Cabugi. A subida é considerada um desafio físico devido à inclinação acentuada e ao terreno repleto de pedras soltas. Durante a subida, é possível observar de perto as colunas de basalto que se formaram durante o resfriamento lento do magma. Essas estruturas geométricas naturais são provas da origem vulcânica da montanha e mostram como a natureza organizou a matéria sob condições extremas de pressão e temperatura.
Importância científica e preservação regional
Além do valor turístico, o Cabugi possui uma relevância acadêmica fundamental. Ele serve como base para estudos sobre a tectônica de placas e o vulcanismo continental no Brasil. A conservação dessa área é essencial não apenas para manter a integridade da formação geológica, mas também para proteger a fauna e a flora locais que se adaptaram a esse microclima específico. A altitude elevada proporciona um ambiente ligeiramente diferente do restante da planície, servindo de refúgio para espécies da biodiversidade potiguar.
O local também carrega histórias culturais. Moradores da região mantêm viva a memória de pesquisadores estrangeiros que visitaram o local no século passado. Um guia local recorda as palavras de um geólogo que examinou as pedras do cume: “Isso aqui é um monumento natural que conta a história do fogo no Brasil”. Essa frase resume a percepção de que o Cabugi é um patrimônio que vai além da beleza cênica.


