
Navio MV Hondius no Atlântico sofre crise médica com suspeita de hantavírus (Foto: Instagram)
Um cruzeiro que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde se transformou em uma crise médica internacional após a morte de três passageiros e a manifestação de sintomas graves em outras pessoas a bordo do MV Hondius. A Organização Mundial da Saúde está investigando a suspeita de um surto de hantavírus, uma infecção rara e potencialmente fatal, associada ao contato com roedores, sua urina ou fezes.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
A embarcação transportava cerca de 150 turistas em uma viagem de luxo, com cabines que, de acordo com informações, podiam custar até R$ 230.000. O itinerário, que cruzava o Atlântico, chamou a atenção não pelo luxo ou paisagens, mas pela sequência de casos graves entre passageiros e tripulantes.
Entre as vítimas estavam um homem de 70 anos e sua esposa de 69, ambos da Holanda. O homem faleceu em Santa Helena após apresentar febre, dor de cabeça, dor abdominal e diarreia. A mulher adoeceu mais tarde, desmaiou em um aeroporto e foi levada a um hospital na África do Sul. Uma terceira pessoa, também da Holanda, morreu após adoecer durante a viagem.
A OMS informou que havia um caso confirmado de hantavírus e outros cinco casos suspeitos relacionados ao navio. As investigações continuam, incluindo novos exames laboratoriais, testes epidemiológicos e sequenciamento do vírus.
Em nota, a organização declarou: “Investigações detalhadas estão em andamento, incluindo novos testes laboratoriais e investigações epidemiológicas. Atendimento médico e suporte estão sendo fornecidos a passageiros e tripulantes. O sequenciamento do vírus também está em andamento.”
Além das mortes, um turista britânico de 69 anos foi internado em estado grave em Joanesburgo, na África do Sul, onde recebe tratamento intensivo. A operadora do cruzeiro, Oceanwide Expeditions, afirmou que dois tripulantes precisavam de atendimento médico urgente, mas aguardavam autorização das autoridades de Cabo Verde para desembarcar.
A empresa declarou que sua prioridade era garantir que os tripulantes doentes recebessem “atendimento médico adequado e rápido”.
O hantavírus não costuma se espalhar como uma gripe comum entre pessoas. A transmissão geralmente ocorre quando alguém entra em contato com partículas contaminadas por roedores infectados, especialmente em locais onde há urina, fezes ou saliva desses animais. Quando essas partículas secam e ficam suspensas no ar, podem ser inaladas.
A doença é perigosa porque pode evoluir de sintomas aparentemente comuns para problemas respiratórios ou renais graves. A OMS aponta dois quadros principais causados pelo vírus: a síndrome pulmonar por hantavírus e a febre hemorrágica com síndrome renal.
Na forma pulmonar, os primeiros sintomas podem aparecer entre uma e oito semanas após a infecção. Eles incluem cansaço, febre, dores musculares, dor de cabeça, tontura, calafrios, náusea, vômito e diarreia. Em uma fase posterior, o quadro pode avançar para tosse, falta de ar e sensação de aperto no peito.
Na forma que afeta os rins, os sintomas iniciais costumam surgir entre uma e duas semanas depois da exposição. Entre eles estão dor de cabeça intensa, dor nas costas, dor abdominal, febre, calafrios, náusea e visão embaçada. Em casos mais graves, podem ocorrer queda de pressão, sangramentos internos e insuficiência renal aguda.
Não existe uma cura específica para o hantavírus. O tratamento costuma se concentrar em suporte médico intensivo, controle dos sintomas e manutenção das funções vitais. O diagnóstico precoce pode aumentar as chances de sobrevivência, especialmente quando o paciente recebe acompanhamento hospitalar antes da piora respiratória ou renal.
A Oceanwide Expeditions afirmou estar em contato com os passageiros afetados e suas famílias, além de colaborar com autoridades locais e internacionais. A empresa citou a OMS, o RIVM, embaixadas envolvidas e o Ministério das Relações Exteriores da Holanda entre os órgãos que acompanham o caso.
Em comunicado, a operadora disse: “Estamos em contato próximo com os diretamente afetados e suas famílias e estamos oferecendo apoio sempre que possível. A saúde e a segurança de todos os passageiros e tripulantes são nossa maior prioridade.”
A companhia também informou que o desembarque e a triagem médica de todos os passageiros exigem coordenação com as autoridades de saúde locais. Segundo a empresa, os próximos passos dependem da conclusão das avaliações médicas, da liberação para atendimento dos tripulantes e do avanço das investigações sobre a origem da infecção.
O caso chamou atenção também por envolver uma doença rara em um ambiente incomum para surtos desse tipo. Cruzeiros costumam ser associados a surtos de norovírus ou outras infecções gastrointestinais, mas a suspeita de hantavírus acrescenta um elemento diferente à investigação: a necessidade de descobrir onde e como os passageiros ou tripulantes podem ter sido expostos a roedores contaminados.
A morte de Betsy Arakawa, esposa do ator Gene Hackman, também foi atribuída ao hantavírus, depois que os dois foram encontrados mortos em casa no ano passado. O episódio reforçou o alerta sobre uma infecção que, embora incomum, pode avançar de forma rápida e severa quando não identificada cedo.


