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Cauã Reymond desabafa sobre depressão funcional; especialistas explicam

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Cauã Reymond falou sobre o período em que enfrentou depressão após o sucesso de Avenida Brasil, em 2012. O ator relatou que, mesmo em uma fase de grandes conquistas profissionais e pessoais, sentia que algo estava faltando. O depoimento destacou uma situação difícil de identificar: quando a pessoa continua trabalhando e mantendo a rotina, mas enfrenta um sofrimento emocional significativo.

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Especialistas ouvidos pela coluna Fábia Oliveira explicam que a expressão “depressão funcional” é usada para descrever situações em que alguém mantém boa parte da capacidade de realizar atividades, apesar de apresentar sintomas depressivos. O termo também é associado a expressões populares como “depressão sorridente”.

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“A depressão funcional, conhecida como depressão atípica ou até como depressão sorridente, é aquela em que a pessoa trabalha e consegue realizar suas atividades. Externamente, ninguém percebe que ela está sem sentido na vida. Parece que as coisas já não têm o mesmo prazer de antes, há dificuldade de encontrar cor na vida. A pessoa performa bem, mas não tem energia, não sente felicidade e perde o prazer nas coisas de que gostava”, explicou a psiquiatra Jessica Martani.

Segundo a especialista, os sinais não se restringem à tristeza. Alterações cognitivas, no sono, na alimentação e no comportamento também podem fazer parte do quadro.

“Podem surgir alterações de foco, atenção e memória, além de mudanças no sono. Também pode haver alteração alimentar, com aumento ou redução do apetite. A irritabilidade também pode estar presente. Todos esses sintomas podem fazer parte de um quadro de depressão atípica”, afirmou Jessica.

O psiquiatra Ciro Jorge explica que a capacidade de manter as atividades não significa necessariamente que a saúde mental esteja preservada.

“Uma pessoa pode continuar trabalhando e cumprindo suas responsabilidades e, ainda assim, estar deprimida. O funcionamento externo não é suficiente para avaliar a saúde mental. Em alguns casos, justamente porque a pessoa mantém a rotina, o sofrimento pode passar despercebido por muito tempo”, afirmou.

Para o psiquiatra Rafael Fabri, é importante observar não apenas o que a pessoa consegue fazer, mas como ela está vivenciando aquela rotina.

“O fato de uma pessoa acordar cedo, trabalhar e cumprir uma agenda cheia não significa que ela esteja bem. Precisamos olhar para a qualidade dessa experiência. Ela ainda sente prazer? Existe motivação genuína? Como estão o sono, a concentração, os relacionamentos e a percepção que ela tem de si mesma?”, explicou.

Um dos principais desafios desses quadros é a aparência de normalidade. Como o indivíduo continua desempenhando suas funções, familiares e colegas podem não perceber que existe um problema.

“É muito comum que exista uma discrepância entre o funcionamento externo e o que a pessoa sente internamente. Ela pode estar entregando resultados, cuidando da família e mantendo compromissos, mas sentir que está vivendo no automático. Essa diferença precisa ser observada”, afirmou Rafael Fabri.

A psiquiatra Jessica Martani destaca que a perda de prazer é um dos sinais que merecem atenção.

“Uma das coisas que chama muito a atenção é essa perda de prazer. A pessoa continua fazendo o que sempre fez, mas já não tem a mesma graça. Ela vai ao trabalho, encontra amigos, pratica atividades, mas não sente a mesma satisfação. É como se faltasse cor para as coisas que antes tinham significado”, explicou.

O relato de Cauã Reymond também chamou atenção para outra ideia equivocada sobre depressão: a de que o transtorno só aparece quando existe um problema evidente na vida. O ator falou sobre viver esse período após uma fase de grande sucesso profissional.

“A saúde mental não obedece a uma lógica de gratidão. Uma pessoa pode reconhecer que tem uma vida privilegiada e, ainda assim, apresentar sintomas depressivos. Ter motivos externos para estar feliz não impede que exista sofrimento interno”, afirmou a psiquiatra e pesquisadora Camilla Nicolucci.

Segundo a especialista, grandes mudanças também podem exigir uma adaptação emocional.

“Mesmo acontecimentos positivos podem exigir uma reorganização interna. Uma promoção, uma mudança na vida pessoal, o nascimento de um filho ou uma grande exposição profissional modificam a rotina e as responsabilidades. Nem sempre conseguimos elaborar essas mudanças no mesmo ritmo em que elas acontecem”, explicou.

De acordo com os especialistas, a presença de um sintoma isolado não significa necessariamente que uma pessoa esteja deprimida. O diagnóstico depende de avaliação profissional, considerando a duração, a intensidade e a combinação dos sinais.

“Buscar ajuda não significa que a pessoa perdeu o controle da própria vida. Muitas vezes, significa reconhecer que existe um sofrimento que merece ser cuidado antes que ele se torne mais intenso”, afirmou Camilla Nicolucci.

Para Jessica Martani, um dos principais sinais de alerta é perceber que a vida perdeu significado mesmo quando a pessoa continua realizando tudo o que precisa.

“Se a pessoa percebe que está fazendo tudo, mas não está sentindo nada, se perdeu o prazer, a energia e a sensação de felicidade, isso merece atenção. Não devemos esperar que ela pare de funcionar para considerar que existe um problema”, afirmou.

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