O clima dos bastidores do Judiciário em Brasília está cada vez mais agitado. Na última terça-feira, o ministro do STF André Mendonça decidiu afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e outro nome bastante importante na corporação e com peso no governo Lula, o delegado Leandro Almada, que era o diretor de Inteligência da PF. A decisão acontece em meio a uma disputa envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela própria Polícia Federal.
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Os documentos foram utilizados pelo ministro Alexandre de Moraes para apontar possíveis crimes de abuso de autoridade atribuídos a Mendonça na condução de casos relacionados ao Banco Master e às fraudes no INSS. Segundo Mendonça, os relatórios revelariam um “monitoramento sistemático e ilegal” de sua atuação durante mais de 30 dias. O acompanhamento, de acordo com o ministro, também teria atingido outras autoridades, entre elas o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Na decisão, Mendonça afirma ainda que Moraes teria tido “notícias da existência” dos relatórios antes que eles fossem utilizados. O ministro sustenta que os documentos teriam servido para uma tentativa de incluí-lo no chamado “Inquérito das Fake News”, que tramita no Supremo. Mendonça também acusa os relatórios de promoverem, de forma abusiva, uma espécie de controle e avaliação disciplinar sobre sua atuação nos dois processos dos quais é relator.
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Um dos documentos, segundo ele, teria analisado uma decisão judicial tomada em um desses casos, questionando a competência e a finalidade da determinação. Outros relatórios teriam examinado seus critérios de decisão e os possíveis “riscos decorrentes” de sua atuação. O afastamento dos dois integrantes da PF amplia a tensão entre setores da Polícia Federal e do Supremo e coloca no centro do debate os limites do uso de informações de inteligência envolvendo autoridades dos mais altos escalões da República.


