Em 7 de novembro de 1970, Margot Proença Gallo, professora de filosofia, foi morta dentro de casa, em Campinas, no interior de São Paulo. O autor do crime foi seu marido, Augusto Carlos Eduardo da Rocha Monteiro Gallo, que trabalhava como procurador de Justiça. Na época, a filha do casal, Maitê Proença, tinha 12 anos e presenciou o episódio.
O assassinato aconteceu com 11 facadas e mudou a vida da família. Anos depois, Maitê passou a falar sobre o episódio em relatos e livros, inclusive sobre a decisão de depor a favor do pai durante os julgamentos.
Segundo os relatos da atriz, a escolha esteve relacionada ao medo de que Augusto cometesse suicídio caso ela demonstrasse rejeição ou ódio por ele. Mesmo diante do que havia acontecido, Maitê afirmou que temia perder o pai também.
A atriz contou que chegou a sentir “asco físico” pelo pai ao lidar com as consequências do crime. “Eu sabia que ele não ia voltar a matar, mas era muito complicado ver aquele homem que tinha destruído a própria vida e que matou também quem ele mais amava, uma pessoa que eu amava mais do que a ele”, desabafou.
Maitê também relembrou como a tragédia interrompeu a vida que conhecia até então: “Eu tinha uma casa perfeita, estudava na escola perfeita, tudo era perfeito e, num belo dia, tudo isso acabou”.
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Com 12 anos na época, ela precisou lidar com a perda da mãe e com a responsabilidade de testemunhar contra ou a favor do próprio pai durante o processo. Mais tarde, Maitê afirmou que não tinha preparo, naquela idade, para enfrentar as consequências do trauma.
“O meu problema trouxe desdobramentos terríveis, pois meu pai se matou, meu irmão mais velho se matou e várias outras coisas que não vou contar aqui, mas que lido com elas até hoje”, disse.
Apesar da sequência de acontecimentos, a atriz também afirmou: “Eu sou feliz porque consegui me organizar dentro disso”.


