Janette MacAusland, acusada de estrangular os filhos Kai, de 7 anos, e Ella, de 6, em Wellesley, Massachusetts, nos Estados Unidos, teve o caso discutido em uma nova audiência. A defesa pretende incluir no processo a discussão sobre doença mental e citou o julgamento de Lindsay Clancy, que alegou psicose pós-parto ao responder pela morte dos próprios filhos. MacAusland é acusada de duas mortes ocorridas em abril e permanece sem direito a fiança.
O caso começou a ser investigado depois que MacAusland apareceu na casa de uma tia em Bennington, no estado de Vermont, na noite de uma sexta-feira. Segundo a polícia, ela estava sangrando, apresentava uma lesão no pescoço e estava “muito abalada”.
De acordo com documentos judiciais, foi nesse momento que MacAusland admitiu aos policiais o que teria acontecido com os filhos. “Eu os estrangulei e depois tentei me matar”, disse. Ela também informou que Kai e Ella estavam em sua cama.
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A tia de MacAusland relatou outra declaração feita por ela. “Eu queria que nós três fôssemos para Deus juntos, mas não deu certo”, teria afirmado.
A partir das informações, a polícia de Bennington acionou os agentes de Wellesley para verificar a situação das crianças na casa da família, localizada na Edgemoor Avenue. Quando chegaram ao imóvel, os policiais encontraram Kai e Ella mortos.
MacAusland foi detida em Vermont como fugitiva da Justiça. O Ministério Público do Condado de Norfolk obteve um mandado de prisão e apresentou duas acusações de assassinato contra ela. Posteriormente, a mulher abriu mão do direito de contestar a extradição e decidiu retornar a Massachusetts para responder ao processo.
Meses depois das mortes, o Office of the Chief Medical Examiner ainda não havia determinado oficialmente a causa da morte das crianças. Por esse motivo, durante a audiência de quinta-feira, a promotoria pediu mais tempo para desenvolver o caso. MacAusland já havia sido acusada de duas mortes em primeiro grau, mas ainda não havia sido formalmente indiciada.
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A audiência ocorreu poucos dias depois de o julgamento de Lindsay Clancy terminar sem um veredicto. Clancy também foi acusada de matar os próprios filhos e argumentou em sua defesa que não deveria ser considerada culpada devido a uma psicose pós-parto.
O advogado de MacAusland, Joseph Kroski, reconheceu que os casos têm diferenças, inclusive porque Kai e Ella eram mais velhos, mas afirmou que o debate levantado durante o julgamento de Clancy pode ter reflexos no processo de sua cliente. “Esta não é Lindsay Clancy 2.0. Janette MacAusland é uma mulher com sua própria história, mas houve uma discussão, um debate que se abriu neste país sobre se queremos ou não criminalizar a doença mental”, declarou.
Registros judiciais também mostram que Samuel, marido de MacAusland, havia pedido o divórcio em outubro do ano anterior. Ele também havia solicitado a guarda dos filhos e da residência da família.
Cale Darrah, que trabalhava como babá das crianças, afirmou que não havia previsto o que aconteceria. “Ela parecia simplesmente amar profundamente os filhos, como qualquer outra mãe que conheci. Eles tinham discussões muito pequenas e insignificantes na minha frente. Nada que levantasse grandes sinais de alerta”, disse sobre MacAusland.
Kai e Ella estudavam na Schofield Elementary School. Uma das crianças estava no segundo ano e a outra frequentava o jardim de infância. Ao falar sobre os dois, Darrah contou: “Ela era um pouco ‘menininha’, sempre adorava quando eu fazia o cabelo dela, adorava a cor roxa. Ele adora ler, especialmente muitos livros sobre aviões, trens, caminhões, todas essas coisas”.
O juiz aceitou o pedido da promotoria para adiar o andamento da audiência enquanto o caso continua sendo desenvolvido. As duas partes devem retornar ao tribunal no fim de outubro.










