O acidente de helicóptero que resultou na morte do cantor Rick, da dupla Rick e Renner, do empresário Bruno Avelar, do videomaker Paulo Soares e de outros dois tripulantes destacou como o corpo humano reage em situações de perigo extremo. Após os destroços da aeronave serem encontrados na Serra Catarinense, na terça-feira (22/9), o neurologista Wedney Livânio fez uma publicação nas redes sociais para explicar o que ocorre no cérebro diante de uma ameaça desse tipo.
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De acordo com o médico, o organismo passa por uma reorganização imediata, direcionando suas funções para a sobrevivência. “Diante de um perigo desse tamanho, o cérebro reorganiza toda a sua atividade em milissegundos. A amígdala assume, o córtex racional recua, e o corpo entra num estado que existe pra uma única função: sobreviver”, escreveu.
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Na publicação, Wedney detalhou passo a passo como o cérebro reage nos primeiros instantes de uma situação de ameaça.
“No instante em que um perigo desse tamanho aparece, a amígdala cerebral detecta a ameaça antes mesmo de a pessoa entender o que está acontecendo. O alarme dispara em milissegundos, antes de qualquer raciocínio lógico entrar em ação. O hipotálamo recebe esse alarme e aciona o sistema nervoso simpático”, explicou.
Segundo o neurologista, a resposta física ocorre quase que instantaneamente. “Em frações de segundo, adrenalina entra na corrente sanguínea. O coração acelera, a respiração dispara e os músculos se contraem”.
Ele também explicou a atuação do cortisol durante esse processo: “Ao mesmo tempo, o eixo HPA libera cortisol. Esse hormônio redistribui energia para os órgãos vitais e desliga funções que não são urgentes naquele momento, como digestão e percepção de dor”.
O neurologista também abordou o papel do córtex pré-frontal, região relacionada ao planejamento, avaliação de riscos e tomada de decisões.
“O córtex pré-frontal é a parte do cérebro que planeja, calcula risco e toma decisão racional. Sob esse nível de estresse, níveis altos de noradrenalina desligam essa região inteira”, afirmou.
Com isso, segundo o especialista, a resposta passa a ser predominantemente instintiva. “Com o pré-frontal fora de ação, a amígdala assume o controle. O cérebro para de pensar e passa a reagir. É o que a neurociência chama de sequestro emocional, o instinto de sobrevivência tomando o lugar da razão”.
O neurologista ainda explicou por que a percepção do tempo pode mudar em momentos de extremo perigo. “A percepção do tempo se distorce. Segundos parecem durar minutos. Isso acontece porque, sob ameaça extrema, o cérebro processa muito mais informação por segundo do que processa num dia comum”.
Ao final da publicação, Wedney ressaltou que essa resposta não representa uma falha individual, mas uma reação do próprio sistema nervoso diante de uma ameaça repentina. “Essa reação acontece com qualquer pessoa diante de um perigo repentino. Entender isso ajuda a ver que o corpo, naquele momento, só está fazendo o trabalho dele”, escreveu.


