O caso envolvendo Duda Kropf, esposa do cantor Felipe Amorim, reacendeu nas redes sociais uma discussão cada vez mais presente na vida de quem está exposto publicamente: até que ponto o julgamento virtual pode ultrapassar a tela e provocar consequências reais na saúde mental?
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Nas últimas semanas, a influenciadora voltou a ser alvo de intensa repercussão nas redes após a retomada de uma antiga polêmica envolvendo seu relacionamento com o cantor. A história voltou a circular após declarações de Milca, ex-namorada do artista, enquanto ele reafirmou que não houve traição e que o relacionamento anterior já havia terminado.
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O episódio acontece justamente em um momento em que a discussão sobre saúde mental ganha força por causa do Setembro Amarelo, e encontra paralelo em relatos de outras celebridades que já expuseram publicamente os efeitos da pressão digital.
DEPOIMENTO DE LUÍSA SONZA
Há alguns dias, Luísa Sonza falou sobre saúde mental e compartilhou com os seguidores alguns dos cuidados que considera fundamentais para evitar entrar em crises, citando rotina, sono, atividade física, terapia, contato com pessoas próximas e limites para o uso das telas.
A cantora também afirmou que, depois de anos de exposição, passou a evitar consumir críticas nas redes e destacou que a terapia a ajudou a se conhecer melhor e a lidar com a necessidade de aprovação externa.
LIDANDO COM A IMAGEM
Para a Mariellen Freitas, médica com atuação voltada à saúde mental e à educação em saúde, os dois fenômenos, a exposição aos ataques e a necessidade de estabelecer limites diante da internet, fazem parte de uma transformação na maneira como as pessoas lidam com a própria imagem.
“Nas redes sociais, muitas vezes esquecemos que existe uma pessoa do outro lado da tela. Quando milhares de pessoas passam a comentar, julgar ou atacar alguém simultaneamente, aquilo pode ser percebido pelo indivíduo como uma situação de ameaça constante”, afirmou, antes de completar:
“Não é simplesmente ‘um comentário na internet’: dependendo da intensidade e da frequência, a exposição pode gerar ansiedade, medo, isolamento e sofrimento emocional”, explicou.
DIFERENÇA ENTRE OPINIÃO E ATAQUES
A especialista ressaltou que críticas fazem parte da exposição pública, mas existe uma diferença entre manifestação de opinião e uma mobilização coletiva de ataques.
“Existe uma diferença importante entre discordar de uma pessoa e participar de um linchamento virtual. Quando há uma onda de ataques, humilhações, ameaças ou tentativas de destruir a reputação de alguém, o volume pode ser muito difícil de administrar emocionalmente”, relatou.
E prosseguiu: “A pessoa pode começar a sentir que está sendo observada o tempo inteiro e que qualquer movimento será novamente utilizado contra ela”, analisou Mariellen.
PERDA DE CONTROLE
Segundo a médica, outro elemento preocupante é a sensação de perda de controle sobre a própria narrativa: “Uma das características mais difíceis da exposição digital é que a pessoa não consegue controlar o que será recortado, compartilhado ou interpretado”, apontou.
Em seguida, a especialista pontuou: “Um episódio pode ser resgatado anos depois e voltar a circular como se estivesse acontecendo naquele momento. Isso pode produzir uma sensação de vigilância permanente”, comentou.
IMPORTÂNCIA DOS LIMITES
O relato de Luísa Sonza durante o Setembro Amarelo também ajuda a mostrar uma estratégia diferente: estabelecer limites para aquilo que chega até a pessoa.
A cantora contou que evita determinados conteúdos e críticas nas redes e destacou hábitos que considera importantes para preservar sua saúde mental.
Para Mariellen, estabelecer limites não significa, necessariamente, fugir da realidade, mas escolher quanto espaço determinado conteúdo terá na rotina.
“Limite digital também é cuidado em saúde mental. A pessoa não precisa acompanhar cada comentário, responder a toda provocação ou saber tudo o que estão dizendo sobre ela. Em alguns momentos, silenciar notificações, delegar o gerenciamento das redes e se afastar temporariamente de determinados conteúdos pode ser uma forma saudável de proteção”, disse.
AUTOCUIDADO E BEM-ESTAR
A médica, entretanto, fez uma ressalva importante: hábitos de autocuidado podem contribuir para o bem-estar, mas não substituem acompanhamento profissional quando existe sofrimento significativo.
“Sono adequado, atividade física, rotina, convivência social e momentos de descanso são importantes, mas não existe uma fórmula única para saúde mental. Quando o sofrimento começa a interferir no sono, no trabalho, nos relacionamentos ou na capacidade de realizar atividades do cotidiano, é importante buscar avaliação profissional”, ressaltou.
DINÂMICA DA WEB
De acordo com a especialista, as redes criam uma dinâmica particular porque permitem que uma pessoa seja exposta simultaneamente a centenas ou milhares de opiniões.
“No ambiente digital, existe uma sensação de proximidade que pode fazer com que as pessoas se esqueçam de que estão falando sobre alguém que não conhecem integralmente. O público vê recortes. A vida real, porém, é muito maior do que aquilo que aparece em um vídeo, uma foto ou uma publicação”, declarou.
SETEMBRO AMARELO
Para ela, o Setembro Amarelo também pode ser uma oportunidade para ampliar a conversa sobre violência digital, cultura do julgamento e responsabilidade coletiva nas redes.
“Falar de prevenção e saúde mental também significa discutir os ambientes em que as pessoas estão inseridas. Precisamos pensar sobre o tipo de comportamento que estamos normalizando na internet. Discordar é legítimo. Humilhar, perseguir e transformar uma pessoa em alvo coletivo é outra coisa”, refletiu.
DESTAQUE QUANDO ENVOLVE FAMOSAS
A discussão ganha relevância justamente porque casos envolvendo pessoas famosas acabam funcionando como espelho de um comportamento que também acontece fora da esfera das celebridades.
“O problema não começa nem termina com os famosos. O mesmo mecanismo de exposição, comparação e julgamento acontece com pessoas comuns. Por isso, o mais importante é entender que aquilo que parece apenas uma interação virtual pode ter consequências emocionais concretas para quem está do outro lado.”, finalizou.


