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Eliana revela relacionamento abusivo e alerta sobre impactos emocionais no corpo

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Eliana revelou ter vivido um relacionamento abusivo marcado por ciúmes excessivos, controle e promessas de mudança que nunca foram cumpridas.

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Durante o programa Saia Justa, exibido pelo GNT na quarta-feira (14/10), a apresentadora compartilhou o sofrimento causado pela relação e alertou sobre comportamentos frequentemente confundidos com demonstrações de amor: “Eu vivi um relacionamento muito abusivo nesse lugar do ciúme por um tempo na minha vida”, relatou.

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A apresentadora também contou que o ex-companheiro pedia desculpas, mas repetia as mesmas atitudes. Ela reconheceu que ignorou alertas de pessoas próximas e destacou a importância de perceber quando o cuidado se transforma em controle. O desabafo chama atenção para uma consequência menos discutida dos relacionamentos abusivos: os efeitos que a exposição prolongada ao medo, insegurança e tensão pode ter no organismo.

SOFRIMENTO PSICOLÓGICO

Segundo a psiquiatra Jessica Martani, o sofrimento psicológico pode desencadear respostas físicas porque o cérebro interpreta situações persistentes de ameaça como um sinal para manter o organismo em alerta.

Nesses casos, o sistema nervoso autônomo e os mecanismos hormonais envolvidos na resposta ao estresse podem permanecer excessivamente ativados, contribuindo para sintomas como insônia, palpitações, tensão muscular, dores de cabeça e alterações digestivas.

“Uma pessoa que vive constantemente preocupada com a reação do parceiro pode desenvolver um estado de hipervigilância. O cérebro passa a antecipar conflitos e o corpo responde como se precisasse estar preparado para uma ameaça”, comentou, antes de completar:

“Com o tempo, essa sobrecarga pode afetar o sono, a concentração, a disposição e até a percepção da dor. O sofrimento emocional não fica restrito à mente, ele também pode aparecer por meio de sintomas físicos”, explicou.

ALERTA SOBRE PERIGO

Essa resposta envolve substâncias como adrenalina e cortisol, fundamentais para que o organismo enfrente situações de perigo. O problema surge quando o estresse deixa de ser pontual e passa a fazer parte da rotina.

O endocrinologista Bruno Cardoso, especialista titulado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pontuou que a ativação prolongada dos mecanismos de estresse pode interferir na regulação do sono, do apetite e do metabolismo, embora essas alterações não ocorram da mesma forma em todas as pessoas.

“O cortisol é um hormônio essencial para o funcionamento do organismo, mas a exposição contínua a situações estressantes pode desorganizar os mecanismos que regulam sua produção e sua ação. Algumas pessoas passam a apresentar alterações de apetite, dificuldades para dormir, fadiga e mudanças no peso”, enumerou.

E alertou: “É importante compreender que não existe uma resposta hormonal única para o estresse crônico, e que esses sintomas precisam ser avaliados individualmente”, observou ele.

ATENÇÃO ÀS MULHERES

Na saúde feminina, outro ponto que merece atenção é a relação entre sofrimento psicológico e doenças associadas à dor crônica. A endometriose, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, é uma doença inflamatória que pode provocar cólicas intensas, dor pélvica e dificuldades para engravidar. Pesquisas têm identificado associações entre endometriose, ansiedade, depressão, estresse percebido e pior qualidade de vida, mas isso não significa que emoções negativas sejam a causa da doença.

Especialista no tratamento cirúrgico da endometriose por cirurgia robótica, Marcos Travessa ressaltou que o componente emocional pode influenciar a intensidade e a experiência da dor, especialmente por meio da interação entre o sistema nervoso, os mecanismos inflamatórios e a sensibilização à dor. Essa relação, porém, não permite concluir que um relacionamento abusivo provoque endometriose ou determine sua progressão.

“Os estudos mostram uma associação importante entre endometriose e sofrimento psicológico, especialmente ansiedade, depressão e estresse. Essa relação pode funcionar nos dois sentidos: a dor crônica compromete a saúde emocional, enquanto o estresse pode intensificar a percepção dolorosa e dificultar o enfrentamento dos sintomas. A endometriose é uma doença orgânica, não uma consequência das emoções, mas o cuidado com a saúde mental precisa fazer parte de uma abordagem integral”, esclareceu.

REFLEXO NA PELE

A pele também pode refletir períodos de tensão emocional prolongada. O estresse interfere em mecanismos neuroimunológicos relacionados à inflamação e à função de barreira cutânea, podendo contribuir para a piora de condições dermatológicas preexistentes. Em algumas pessoas, situações estressantes também podem atuar como um dos fatores associados ao eflúvio telógeno, quadro caracterizado pelo aumento da queda de cabelos.

Para a dermatologista Tatyana Braga, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), é importante observar mudanças persistentes na pele e no couro cabeludo, especialmente quando aparecem acompanhadas de alterações de sono e outros sinais de sobrecarga física. Acne, dermatite atópica, psoríase e determinados quadros de queda capilar podem sofrer influência do estresse, mas cada condição possui mecanismos próprios e exige avaliação adequada.

“A pele e o sistema nervoso mantêm uma comunicação constante. Em períodos de estresse intenso, algumas pessoas percebem piora de doenças inflamatórias, aumento da sensibilidade cutânea e alterações nos cabelos. Isso não significa que todo problema dermatológico tenha origem emocional, mas mostra como a saúde da pele também pode ser influenciada pelo estado geral do organismo”, apontou.

RECONHECENDO OS ABUSOS

O relato de Eliana também reforça a importância de reconhecer comportamentos abusivos antes que se tornem parte da rotina. Monitoramento constante, isolamento, humilhações, ameaças e controle sobre decisões pessoais não devem ser confundidos com cuidado ou proteção.

Além dos impactos emocionais, a exposição a essas situações pode comprometer a saúde e a qualidade de vida, tornando fundamental o acesso a uma rede de apoio e a acompanhamento profissional quando necessário.

A recuperação física e emocional após uma relação abusiva não segue um prazo único. Identificar sintomas, investigar possíveis doenças e buscar acolhimento são medidas importantes, mas a prioridade deve ser sempre a segurança de quem vive a situação. O corpo pode manifestar sinais de sofrimento, e reconhecê-los é uma parte do cuidado, sem atribuir à vítima a responsabilidade pela violência sofrida.

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