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Praia na Islândia tem ondas repentinas e está entre as mais perigosas do mundo

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A beleza da praia islandesa de Reynisfjara esconde o perigo das ondas traiçoeiras. (Foto: Instagram)

Encontrar o mar costuma ser um momento de descanso. Mas, dependendo do lugar, não é recomendável relaxar demais. Esse é o caso de Reynisfjara, famosa praia de areia preta na costa sul da Islândia.

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Apesar de bela, Reynisfjara é atingida pelas sneaker waves (ondas traiçoeiras ou ondas adormecidas, em português), grandes ondas costeiras que surgem de repente depois de uma sequência de ondas menores.

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“Esse fenômeno está ligado à dinâmica de propagação e interação das ondas, que inclui a formação de grupos de ondas e mudanças no nível da água na zona de arrebentação. Por isso, mesmo depois de vários minutos de ondas aparentemente pequenas, uma onda pode alcançar áreas mais altas da praia”, explica o pesquisador Keltony Aquino, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apoiado pelo Instituto Serrapilheira.

Segundo Aquino, os riscos de visitar a praia de areia preta decorrem da combinação de características geológicas e oceanográficas. Além das ondas, Reynisfjara fica exposta às ondulações do Atlântico Norte.

“Essa exposição, somada à configuração do fundo oceânico e à inclinação da face praial, favorece ondas de alta energia e o avanço repentino da água sobre a faixa de areia”, afirma o pesquisador.

Além de surgirem sem aviso, as sneaker waves são muito fortes tanto quando avançam quanto no retorno da água ao oceano. Com isso, pessoas podem ser derrubadas e arrastadas pelo refluxo.

“A água é extremamente fria, o que torna a sobrevivência e o resgate mais difíceis”, destaca o oceanógrafo João Thadeu de Menezes, da Associação Brasileira de Oceanografia (Aoceano). As baixas temperaturas podem provocar choque térmico, dificultando a respiração e a capacidade de reação.

A praia também tem paredões rochosos que podem liberar pedras e causar acidentes com visitantes. “É importante ressaltar que a areia preta, formada principalmente por materiais de origem vulcânica, não é responsável pelo alto perigo da praia”, diz Aquino.

NO BRASIL HÁ PRAIAS ASSIM?

Não. De acordo com os especialistas, há no Brasil praias com algumas características parecidas com as de Reynisfjara, mas nenhuma é exatamente igual. Entre os exemplos estão as praias da Areia Preta, Anchieta e Iriri, todas no Espírito Santo, cuja areia tem a mesma coloração preta da região islandesa.

“Nos casos brasileiros, a cor está relacionada à concentração de minerais pesados, como ilmenita e magnetita, encontrados nas areias conhecidas como monazíticas. Em Reynisfjara, por sua vez, a areia escura é resultado da fragmentação e erosão de rochas vulcânicas, principalmente o basalto”, explica Menezes.

Quanto à dinâmica das ondas, as praias brasileiras mais semelhantes são Itacoatiara, no Rio de Janeiro, e Massaguaçu, no litoral norte de São Paulo. Ambas têm ondulações de alta energia e arrebentação intensa.

“Essas praias não apresentam necessariamente os mesmos mecanismos de risco nem o mesmo nível de exposição observado em Reynisfjara. Ainda assim, mostram como a interação entre ondas, características do fundo oceânico e morfologia da praia pode criar situações perigosas para os banhistas”, afirma Aquino.

VAI VISITAR REYNISFJARA? VEJA COMO SE PROTEGER

Se, mesmo com esses riscos, você ficou interessado em conhecer o local, é importante adotar algumas medidas para evitar acidentes. Entre as principais recomendações dos especialistas estão:

  • Manter distância segura e permanecer dentro das áreas delimitadas pelas autoridades locais;
  • Nunca ficar de costas para o oceano;
  • Evitar tirar fotos perto da arrebentação;
  • Consultar as previsões de ondas e marés do dia;
  • Afastar-se de paredões rochosos instáveis e de trechos estreitos da faixa de areia;
  • Respeitar a sinalização de perigo do local — em Reynisfjara, uma placa informa os níveis de perigo do dia.

“Mesmo quando o mar parece tranquilo, há risco de ondas inesperadas avançarem sobre a areia. Em qualquer praia, é essencial prestar atenção às condições do mar e seguir as orientações de segurança”, conclui o oceanógrafo.

Tags: Ciência, Islândia, Reynisfjara

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