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Sob pressão de Trump, EUA renovam a Câmara e um terço do Senado

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Eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3/11) para renovar parte do Congresso em uma disputa que pode alterar o equilíbrio de forças em Washington. (Foto: Instagram)

Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na próxima terça-feira (3/11) para escolher os novos integrantes do Congresso, em uma disputa que pode mudar o equilíbrio de forças em Washington e criar novos obstáculos para o governo de Donald Trump.

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As eleições de meio de mandato, chamadas de midterms, renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.

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O pleito ocorre em meio ao desgaste político do presidente republicano. A insatisfação com o custo de vida, a gestão da economia, as tarifas comerciais e os efeitos da guerra contra o Irã pressionam a Casa Branca às vésperas da votação.

Com uma margem estreita de maioria republicana nas duas Casas, os democratas veem uma oportunidade de recuperar espaço no Legislativo.

O QUE SÃO AS MIDTERMS?

  • As midterms acontecem a cada quatro anos, sempre na metade do mandato presidencial norte-americano.
  • O sistema prevê eleições legislativas a cada dois anos, com a renovação de toda a Câmara dos Representantes e de cerca de um terço do Senado.
  • Na Câmara, os 435 deputados têm mandatos de dois anos e representam distritos eleitorais distribuídos pelos 50 estados, conforme o tamanho da população.
  • Para controlar a Casa, um partido precisa conquistar pelo menos 218 cadeiras.
  • O Senado tem 100 integrantes, dois representantes por estado, independentemente do número de habitantes.
  • Os mandatos são de seis anos, com renovação escalonada.
  • Os parlamentares eleitos tomarão posse em janeiro de 2027, quando começa a legislatura do 120º Congresso.
  • Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm um órgão eleitoral nacional equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
  • Cada estado organiza e contabiliza os próprios votos, conforme as regras locais.
  • A votação antecipada e pelo correio também fazem parte do processo eleitoral.

TRUMP CHEGA ÀS ELEIÇÕES SOB PRESSÃO

A popularidade de Trump está entre os principais fatores que moldam o cenário eleitoral. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro apontou que 66% dos norte-americanos desaprovam a administração republicana, enquanto 31% aprovam o desempenho do presidente.

O levantamento também mostrou que a insatisfação se concentra sobretudo na condução da economia e na alta do custo de vida. O resultado está entre os piores índices de aprovação registrados para Trump em seus dois mandatos.

A política comercial do presidente também se tornou motivo de desgaste. Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, o atual mandatário ampliou o uso de tarifas sobre produtos importados, alegando que a medida protege a indústria norte-americana e fortalece a economia doméstica.

As medidas, porém, geraram questionamentos judiciais, reações de parceiros comerciais e críticas de setores empresariais. A alta dos custos de importação também intensificou o debate sobre os efeitos das tarifas nos preços pagos pelos consumidores.

A insatisfação com a economia se soma à alta dos combustíveis e aos impactos do conflito envolvendo o Irã. O encarecimento da energia pressiona despesas com transporte, frete e produtos essenciais, aumentando o peso do custo de vida na decisão dos eleitores.

Em meio ao cenário conturbado, Trump tem intensificado a presença em eventos de campanha para mobilizar a base republicana e tentar impedir que o partido perca o controle do Congresso.

DEMOCRATAS AVANÇAM NA CÂMARA, MAS SENADO SEGUE DISPUTADO

Os democratas estão à frente na disputa pela Câmara dos Representantes, onde os republicanos têm uma maioria estreita, com 218 cadeiras contra 214 da oposição. Pesquisa Reuters/Ipsos aponta preferência de 47% dos eleitores por candidatos democratas, ante 35% pelos republicanos.

Projeções também indicam vantagem da oposição, que pode conquistar entre 220 e 236 cadeiras. O resultado, contudo, dependerá de disputas acirradas em distritos eleitorais estratégicos.

A corrida pelo Senado é mais difícil para os democratas, que precisam conquistar quatro cadeiras para obter a maioria. Atualmente, os republicanos ocupam 53 assentos, contra 47 do bloco democrata.

A disputa pelo Congresso também passa pelo redesenho dos distritos eleitorais para beneficiar republicanos ou democratas. Texas e Califórnia lideraram movimentos em sentidos opostos, seguidos por outros estados que mudaram seus mapas eleitorais. Essas alterações podem afetar diretamente a distribuição das cadeiras na Câmara.

O QUE MUDA PARA TRUMP SE OS REPUBLICANOS PERDEREM?

Uma possível vitória democrata na Câmara pode reduzir a capacidade de Trump de aprovar novas medidas legislativas. Ao controlar a Casa, a oposição passa a definir a pauta de votações e das comissões, além de ampliar os mecanismos de fiscalização do governo.

Isso também abre caminho para investigações parlamentares sobre decisões da administração, incluindo a política tarifária, a execução de medidas judiciais e a condução de operações militares no exterior.

No Senado, uma eventual mudança na maioria teria outros efeitos. Cabe à Casa confirmar indicações para cargos de alto escalão do governo, embaixadores e integrantes do Judiciário federal. Uma maioria democrata poderia dificultar essas aprovações e estabelecer novas condições para as escolhas presidenciais.

Assim, o resultado das midterms não define a permanência de Trump na Presidência, mas pode redefinir os limites políticos de sua administração.

Tags: Donald Trump, Eleições EUA, Estados Unidos (EUA)

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