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Algo acontece nas avenidas do mundo

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Jovens ocupam as ruas em diferentes países para protestar contra a extrema direita e cobrar melhores condições de vida. (Foto: Instagram)

Algo está acontecendo nas praças e avenidas do mundo. Em uma época marcada pela arrogância e pelo cinismo de líderes autoritários como Donald Trump, que agora enfrenta o teste das eleições de meio de mandato, jovens vão às ruas para conter o avanço da extrema direita e reivindicar melhores condições de vida.

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Nos Estados Unidos, uma multidão de estudantes da Carolina do Norte marchou unida até as urnas, após Trump proibir a instalação de locais de votação nos campi universitários.

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Poucos dias antes, manifestantes contrários ao presidente americano ocuparam as ruas de Nova York. As imagens se espalharam pelas redes sociais. O que gritavam? O antigo lema: “o povo unido jamais será vencido”.

Na Europa, os protestos se multiplicam. Com poucas exceções, como em Frankfurt, na Alemanha, onde houve cenas de violência, as manifestações são pacíficas, embora muitas vezes enfrentem a truculência policial.

Jovens ocupam as ruas da França há várias semanas. O movimento começou com manifestações de estudantes por melhores condições de ensino e, depois, recebeu outros jovens que reclamavam das dificuldades para viver.

Na Itália, manifestantes têm tomado as avenidas e cantado “somos todos antifascistas!”. Eles protestam contra o governo de extrema direita de Giorgia Meloni, o mais longevo do país desde a Segunda Guerra Mundial.

O Brasil também tem uma contribuição importante para esse movimento. Aqui, tudo começou na noite da segunda-feira após o primeiro turno das eleições, quando estudantes da Universidade Federal Fluminense foram às ruas de Niterói em apoio ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois de Niterói, os protestos se espalharam pelas principais cidades do país. Junto com a mobilização nas redes sociais, tiveram papel decisivo na virada do segundo turno e na vitória de Lula.

A conquista do quarto mandato do velho líder de 81 anos ajudou a difundir pelo mundo a sensação de que, sim, é possível deter o avanço da extrema direita e suas características autoritárias de inspiração fascista.

O exemplo também chegou aos eventos esportivos. Logo após a bandeirada final do Grande Prêmio do México de Fórmula Um, a Federação Internacional de Automobilismo autorizou os torcedores a entrar na pista. E o que eles cantaram? “Olê, olê olê olá, Lula, Lula”.

Até onde tudo isso pode chegar? Com as exceções de sempre, não vemos pelo mundo barricadas nem confrontos, como em 1968. Mas é fácil perceber o nível de insatisfação, especialmente entre os jovens.

Durante visita ao Brasil para promover um festival de cinema francês, a atriz Alexandra Lamy disse, em entrevista ao Correio Braziliense, que entende a frustração dos jovens de seu país.

“Damos muito apoio aos estudantes do ensino médio e aos jovens em geral, porque isso nos faz lembrar da violência que eles vivem”, afirmou Alexandra. “Apesar de estarmos na França, onde se imagina que as escolas são excelentes, a realidade é que os alunos passam frio e faltam professores”.

Nos demais países europeus onde as manifestações se espalham, as reclamações são parecidas: custo de vida elevado, aluguéis caros e falta de oportunidades.

Nos Estados Unidos, a principal queixa é o custo de vida. A questão está diretamente ligada à guerra que Trump decidiu promover contra o Irã, que encareceu os combustíveis em todo o mundo.

Como isso vai se refletir nas urnas das maiores democracias ocidentais? A partir desta terça-feira, será possível conhecer melhor a nova composição do Congresso dos Estados Unidos.

A apuração é manual — como defendem os bolsonaristas — e pode durar semanas. Os democratas têm grandes chances de vencer. Mas ainda não se sabe se conseguirão controlar uma ou as duas Casas do Congresso.

Se isso ocorrer, o Partido Democrata terá chances reais de vencer as eleições presidenciais de 2028. Já os sonhos de grandeza de Donald Trump ficarão restritos ao grande salão de baile que ele está construindo na Casa Branca.

Muitos temem que os protestos na França aumentem o medo entre eleitores conservadores e abram caminho para uma possível vitória da Frente Nacional nas eleições do ano que vem.

Ainda é cedo para afirmar. Até porque já há uma multidão de pré-candidatos à sucessão de Emmanuel Macron. O mesmo risco existe na Alemanha, onde cresce o apoio à AfD, partido de extrema direita de inspiração nazista.

As ruas e as urnas podem seguir rumos diferentes. Mas, como o Brasil mostrou ao resto do mundo, multidões nas grandes cidades podem ajudar a conquistar vitórias que antes pareciam impossíveis.

Tags: Estudantes, extrema direita, Lula, protestos

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