Lance seu negócio online com inteligência artificial e comece a ganhar dinheiro hoje com iCHAIT.COM

Latinos, guerra e rejeição a Trump explicam a “tsunami democrata” nos EUA

Date:


A insatisfação com o governo Trump e o custo de vida impulsionaram uma vitória histórica dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. (Foto: Instagram)

A insatisfação com o governo de Donald Trump, as dificuldades econômicas e as mudanças no comportamento dos eleitores ajudam a explicar a vitória histórica do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas midterms, realizadas na terça-feira (3/11).

++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos

O partido de oposição ao presidente republicano conquistou o controle das duas Casas do Congresso e avançou em redutos tradicionalmente republicanos.

++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro

Apelidado de “tsunami democrata”, o resultado foi impulsionado por diversos fatores, como a rejeição às políticas de Trump, os efeitos da guerra contra o Irã no custo de vida, a retomada do apoio entre eleitores latinos e a mobilização de uma nova geração de candidatos do partido.

A vitória também ultrapassou a disputa pelo Legislativo federal. Até a última atualização dos resultados, os democratas haviam conquistado 28 governos estaduais, incluindo triunfos em territórios historicamente ligados aos republicanos, como Texas e Kansas.

Embora seja habitual que o partido de oposição ao presidente ganhe espaço nas eleições de meio de mandato, desta vez chamou atenção o número de regiões em que os democratas conseguiram reverter resultados tradicionais.

Especialistas ouvidos avaliam que o principal motivo foi o desgaste da administração Trump, sobretudo na economia. Inflação, alta nos preços da energia, tarifas comerciais e políticas migratórias mais rígidas ajudaram a afastar eleitores que haviam apoiado o republicano em 2024.

REJEIÇÃO A TRUMP IMPULSIONOU A ONDA AZUL

A baixa popularidade do republicano já sinalizava dificuldades para o Partido Republicano antes da abertura das urnas. Em outubro, a aprovação do presidente chegou a 31%, o menor índice registrado até então durante o segundo mandato.

Para Frederico Bertholini Santos Rodrigues, cientista político e professor adjunto do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), o resultado representa principalmente uma reação às decisões do governo republicano.

“Então, sim, eu diria que é basicamente uma rejeição a Trump”, afirmou.

Segundo o professor, a derrota ganhou maiores proporções com as vitórias democratas em territórios onde o partido enfrentava dificuldades históricas. No Kansas, por exemplo, os democratas venceram uma disputa para o Senado pela primeira vez desde 1932. No Texas, a legenda também conquistou vitórias estaduais após décadas sem resultados semelhantes.

O cientista político André Rosa avalia que o desgaste não ficou limitado às decisões internas do governo. A condução das relações diplomáticas e comerciais também alimentou a desconfiança de parte do eleitorado.

Na avaliação dele, a política externa de Trump provocou preocupação sobre o futuro das relações dos Estados Unidos com outros países e sobre os possíveis impactos do isolamento para a economia norte-americana.

As pesquisas de aprovação também apontavam o desgaste. Em outubro, a avaliação positiva do presidente havia chegado a 31%, o menor índice registrado durante o segundo mandato. A baixa popularidade dificultou a mobilização dos eleitores republicanos e abriu mais espaço para a oposição.

GUERRA NO IRÃ PESOU NO BOLSO DOS ELEITORES

Os efeitos econômicos da guerra entre EUA e Irã atingiram diretamente o orçamento das famílias.

A pressão no mercado de petróleo ajudou a elevar os preços dos combustíveis e de outros produtos. O encarecimento da energia também repercutiu nos valores de alimentos e serviços, em um país que já enfrentava dificuldades com o custo de vida.

A participação dos Estados Unidos no conflito também contrariou uma das promessas políticas de Trump, que defendia uma atuação internacional menos intervencionista e o fim de envolvimentos militares prolongados.

O vice-presidente JD Vance reconheceu que a guerra pesou na derrota republicana. Em sua primeira declaração após o resultado, atribuiu ao conflito a perda de apoio nas urnas.

“A razão pela qual perdemos é a guerra”, declarou.

Para Lucas Portela, professor de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília (CEUB), não é possível atribuir a derrota republicana apenas ao conflito.

Segundo o professor, a guerra teve influência sobretudo por seus efeitos indiretos sobre a economia.

Portela também aponta que a política tarifária do governo contribuiu para pressionar os preços. Juntos, esses fatores agravaram as dificuldades dos consumidores.

ELEITORADO LATINO VOLTOU A APOIAR DEMOCRATAS

O eleitorado latino, que corresponde a 16% dos eleitores aptos a votar nos EUA, voltou a demonstrar preferência pelos democratas nas midterms. Projeções do The New York Times apontam que 69% votaram em candidatos do partido à Câmara, alta de 28 pontos percentuais em relação a 2024. No Texas, o apoio chegou a 70%; no Kansas, a 75%.

A mudança ocorre em meio à insatisfação com o governo Trump. De acordo com o Pew Research Center, a aprovação do presidente entre latinos que votaram nele em 2024 recuou de 93% para 57%. A economia é a principal preocupação para 86% desse eleitorado, enquanto 64% indicam a imigração.

Bertholini ressalta que o endurecimento das políticas migratórias, junto com a inflação, ajudou a afastar esses eleitores do partido.

O QUE MUDA PARA TRUMP APÓS A DERROTA?

A conquista das duas Casas do Congresso representa uma derrota política para Trump e deve dificultar a implementação da agenda republicana nos dois últimos anos do mandato.

Com o controle da Câmara e do Senado, os democratas terão mais meios para fiscalizar o governo, convocar autoridades, exigir documentos e iniciar investigações em diferentes áreas da administração federal. Os novos poderes entram em vigor com a posse do Congresso eleito, em janeiro de 2027.

Ainda assim, a vitória democrata não dá à oposição votos suficientes para derrubar vetos presidenciais. A Constituição norte-americana exige o apoio de dois terços dos parlamentares presentes na Câmara e no Senado para reverter uma decisão desse tipo, número que os democratas não alcançaram.

André Rosa, por sua vez, avalia que a derrota representa um enfraquecimento expressivo do movimento político liderado por Trump e pode dificultar a escolha de um sucessor competitivo. Na mesma linha, Bertholini afirma que “o Partido Democrata certamente tem o objetivo de tornar a candidatura do Partido Republicano em 2028 pouco viável, pouco festiva”.

Tags: Donald Trump, Eleições EUA, Estados Unidos (EUA)

Share post:

Popular

Notícias
Relacionadas

Ativo nas redes, pastor réu por estupro segue sem ser localizado pela Justiça

Pastor investigado por estupro de...

Alan Jones, campeão da F1 em 1980 pela Williams, morre aos 80 anos

Alan Jones, campeão mundial de...

Sequestro: adolescentes de 13 e 15 anos filmavam torturas e vigiavam cativeiro

Adolescentes, filhos de um casal...