Novas informações publicadas na imprensa indicam que o grupo J&F, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, adquiriu poços de exploração de petróleo na Venezuela em 2024 e mantém operações no setor em sigilo, segundo reportagem do jornal O Globo. A operação, que seria estratégica em um dos países com maiores reservas petrolíferas do mundo, despertou atenção política e empresarial no Brasil.
Ainda de acordo com as informações divulgadas, o Itamaraty impôs sigilo de cinco anos às comunicações diplomáticas relacionadas aos negócios da J&F naquele país, por meio de telegramas trocados entre a Embaixada do Brasil em Caracas e o Ministério das Relações Exteriores, medida que dificulta detalhes públicos sobre os termos dos investimentos e eventuais garantias do Estado brasileiro.
A reportagem também resgatou que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, figura como sócio em poços de petróleo venezuelanos, com aportes que, segundo relato à coluna do O Globo, já chegam a cerca de US$ 150 milhões.
Esses investimentos se inserem em um momento delicado da geopolítica regional, com o novo cenário de incertezas na Venezuela após prisões de lideranças e pressões externas. Em dezembro de 2025, reportagens também mencionaram que Joesley Batista esteve em Caracas em uma tentativa de discutir a transição de poder de Nicolás Maduro, o que trouxe ainda mais foco para a atuação de empresários brasileiros no país.
Enquanto isso, nas redes e em colunas políticas, a movimentação dos Batista e de Vorcaro tem sido interpretada de maneiras distintas. Para críticos, o caso levanta questionamentos sobre intervenções privadas em um país sob sanções e regimes autoritários, e sobre o papel do Estado brasileiro em operações privadas com impacto internacional. Para outros analistas, trata-se de um movimento empresarial de mercado em um país que busca retomar investimentos externos.

