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Uma criança mentiu sob pressão, e um homem perdeu 39 anos da vida por um crime que não cometeu

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O caso de Ricky Jackson, um homem negro norte-americano, é um dos exemplos mais dramáticos de erro judicial nos Estados Unidos: ele passou 39 anos na prisão por um assassinato que não cometeu com base em um falso testemunho fornecido quando o suposto “olho-vivo” tinha apenas 12 anos.

Em maio de 1975, Jackson e dois conhecidos, Wiley Bridgeman e Ronnie Bridgeman (hoje Kwame Ajamu), foram acusados do assassinato de Harold Franks, um vendedor de ordens de dinheiro em Cleveland, Ohio. A acusação contra eles não teve provas físicas, não havia DNA, arma ou evidências materiais ligando-os ao crime. O processo baseou-se quase inteiramente no depoimento de Eddie Vernon, então com 12 anos, que afirmou ter visto o ataque.

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Mesmo com ausência de evidência forense, Jackson foi condenado por homicídio agravado, tentativa de homicídio e roubo e recebeu inicialmente pena de morte, transformada depois em prisão perpétua após mudanças na legislação sobre pena capital. Suas alegações de inocência e as de seus colegas foram rejeitadas por jurados, que atribuíram credibilidade ao relato do jovem testemunha.

A reviravolta aconteceu apenas décadas depois, quando, em 2011, uma reportagem detalhada sobre o caso publicada pela Cleveland Scene colocou em dúvida a credibilidade do depoimento de Vernon e expôs diversas inconsistências. A investigação revelou que o jovem havia sido pressionado por policiais e que, na verdade, estava em um ônibus escolar distante do local do crime no momento do assassinato.

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Somente em 2013, já adulto, Vernon retratou seu testemunho e admitiu que mentiu, confessando que havia sido coagido a repetir detalhes fornecidos por investigadores e que não tinha visto o assassinato. Com a retratação formal, um juiz determinou a anulação das condenações em 2014, e Ricky Jackson saiu da prisão depois de quase quatro décadas — o período mais longo de encarceramento para um condenado inocente nos Estados Unidos segundo registros de exonerações.

Após a libertação, Jackson recebeu indenizações de milhões de dólares do Estado de Ohio por compensar os anos roubados de sua vida, incluindo um acordo de aproximadamente US$ 2,65 milhões. Ele também tem participado de documentários e palestras sobre justiça criminal, denunciando as falhas do sistema que levaram à sua condenação injusta.

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