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Perda de um pet pode causar luto prolongado semelhante ao pela morte de um ente querido, revela estudo

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Homem faz carinho em seu cão sentado no colo em um banco de praça. (Foto: Instagram)

Um estudo recente publicado na PLOS One aponta que a morte de um animal de estimação pode desencadear sintomas de luto prolongado com intensidade comparável ao enfrentado após a perda de uma pessoa querida. A pesquisa, liderada pelo professor Philip Hyland, da Maynooth University, analisou respostas emocionais de 975 adultos no Reino Unido e constatou que a ligação afetiva com o pet pode gerar sofrimento clínico significativo.

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Os participantes responderam a questionários sobre experiências de perda, incluindo a de companheiros humanos e animais. A avaliação baseou-se nos critérios do Transtorno de Luto Prolongado (Prolonged Grief Disorder – PGD), condição reconhecida apenas após o falecimento de um ser humano em manuais como o DSM-5 e a CID-11. Ao aplicar as escalas de sintomas, os pesquisadores mediram intensidade da dor emocional, dificuldades de aceitação e persistência do desejo pela presença do falecido.

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Mais de 20% dos entrevistados consideraram a morte do pet a experiência de luto mais intensa que já viveram, superando até a perda de pais, cônjuges ou amigos íntimos em alguns casos. Entre aqueles que perderam um animal, 7,5% preencheram os critérios para PGD. Esse índice mostrou-se similar ao observado em lutos por irmãos e amigos próximos, apontando que a gravidade da reação não depende apenas da espécie do ente querido.

Embora socioculturalmente o pranto e a saudade por um pet sejam subestimados, o estudo demonstra que o vínculo humano-animal envolve forte componente emocional. Os sintomas incluem dor intensa, sentimento de vazio, dificuldade para retomar atividades cotidianas e desejo constante de reencontro. Essas manifestações, se persistentes por meses, podem comprometer o funcionamento social e ocupacional, caracterizando quadro clínico semelhante ao luto por humano.

O autor principal destaca ainda o estigma em torno do luto pet: “Muitos donos de animais relatam vergonha e isolamento ao expressarem tristeza pela morte do companheiro”, comenta Hyland. O comportamento de evitamento social e o medo de julgamento dificultam o acolhimento emocional e podem agravar o processo de luto, enfatizando a necessidade de apoio especializado.

Atualmente, o PGD é formalmente diagnosticado apenas após morte de pessoa querida, mas estes achados reforçam a importância de considerar a perda de um pet nas diretrizes clínicas. Profissionais de saúde mental devem reconhecer a relevância afetiva dos animais de estimação e oferecer recursos adequados, como terapia de luto e grupos de apoio, para amenizar o sofrimento em pessoas vulneráveis.

O estudo contribui para ampliar a compreensão sobre a natureza do vínculo afetivo com animais de estimação e seus impactos psicológicos. Reconhecer e validar o luto pet pode ajudar a reduzir o estigma, a promover intervenções mais eficazes e a apoiar emocionalmente quem enfrenta a perda de um amigo de quatro patas.

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