
Amanda Young durante relato de falha no atendimento de emergência (Foto: Instagram)
Amanda Young, moradora de Queensland, na Austrália, procurou auxílio médico em 2023 ao ser acometida por dores intensas na coluna. Após chamar uma ambulância, ela foi levada ao Townsville University Hospital, recebeu analgésicos e foi liberada em poucas horas sem diagnóstico conclusivo. Young relata que, apesar do sofrimento, foi orientada a retornar para casa, sem investigação mais profunda que explicasse a origem da dor. Pouco tempo depois, entretanto, exames complementares e avaliações cirúrgicas revelaram a existência de esporões ósseos na região vertebral, o que acabou exigindo operação.
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Quatro horas após a alta inicial, Young retornou ao pronto-socorro em estado de desespero. Segundo ela, chegou a gritar de dor, mas foi recebida com resistência pela equipe. A paciente afirma que um médico ordenou que ela “ficasse em silêncio” enquanto implorava por socorro. Mesmo incapaz de se levantar, não recebeu uma bacia hospitalar para suas necessidades básicas e conta que sentiu vergonha e indignação ao ser rotulada como “buscadora de drogas” quando pediu reforço na medicação. Ela descreve ter sido informada de que “não havia nada de errado” em seu quadro.
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No dia seguinte, sentindo-se ainda mais debilitada, Young invocou a chamada Regra de Ryan, mecanismo de Queensland voltado a exigir revisão imediata do atendimento quando o paciente considera que seu caso não recebeu a devida escalada. O recurso recebeu análise de enfermeiro-chefe, consultor clínico e médico sênior, e levou à reavaliação de seu quadro no setor de cirurgia do hospital. Nessa consulta, ela finalmente recebeu medicação adequada para conter os sintomas e teve o diagnóstico de esporões ósseos confirmado.
Em 2024, a paciente foi submetida ao procedimento cirúrgico para remover inúmeras protuberâncias ósseas na coluna que, segundo seu relato, não haviam sido detectadas na ressonância inicial. Young afirma que a operação demorou quatro horas a mais do que o previsto em razão da gravidade dos esporões, e defende que o atraso no tratamento ocasionou danos permanentes. Hoje, ela convive com sequelas como lesões nervosas crônicas e câimbras noturnas constantes.
O chief executive do Townsville Hospital and Health Service, Kieran Keyes, afirmou em nota que as reclamações de Young foram analisadas e concluiu-se que o atendimento prestado estava de acordo com protocolos. Ele declarou que, a cada apresentação ao pronto-socorro, a paciente recebeu avaliação clínica, alívio da dor e monitoramento compatível com os sintomas. Também referiu que o uso da Regra de Ryan foi revisado por equipe sênior, mas não houve nova requisição de escalonamento após essa etapa. A reclamação foi submetida ainda à Ouvidoria de Saúde de Queensland, que, em janeiro de 2025, avaliou que o caso foi tratado corretamente.
Young decidiu tornar pública sua experiência para alertar sobre a situação de pacientes mais vulneráveis, que podem não ter voz para reivindicar atendimento adequado. Ela destaca a importância de hospitais e profissionais de saúde levarem a sério queixas de dor intensa, investigando minuciosamente causas subjacentes para evitar atrasos que possam resultar em complicações permanentes.

