
Bosque nevado após queda brusca de temperatura no Meio-Oeste dos EUA (Foto: Instagram)
Em meio a um surto de postagens na internet afirmando que “árvores podem explodir” durante as temperaturas congelantes no Meio-Oeste e nas Planícies Norte dos Estados Unidos, a National Forest Foundation e outros profissionais do setor florestal estão corrigindo termos e contextualizando o fenômeno. A afirmação foi popularizada pelo influenciador Max Velocity, que se apresenta como “meteorologista graduado” e alegou que, sob frio intenso, troncos se rompem de forma explosiva. A National Forest Foundation reconhece que rachaduras severas na casca podem ocorrer quando as árvores não se aclimatam rapidamente ao frio abaixo de zero.
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O fenômeno descrito nas redes sociais costuma ser associado a um “cold snap”, expressão em inglês que designa uma queda brusca de temperatura em poucas horas. Durante essas variações, a seiva dentro do tronco congela, o que expande os tecidos celulares de forma irregular e gera tensões internas. Quando a pressão se acumula, ocorrem fissuras longitudinais ou cruzadas na casca, processo que alguns chamam de “rachadura por geada”. Embora o estalo seja audível a longas distâncias, não há combustão nem fragmentação violenta dos tecidos, mas sim um rompimento de material vegetal.
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Pete Petoniak, diretor de meteorologia da FOX affiliate WLUK em Green Bay, Wisc., observa que o termo “explosão” é inadequado. Para ele, o ruído se assemelha a um estouro distante, mas nada indica que a árvore lance pedaços de madeira a grande distância. “O que realmente acontece é uma separação abrupta da casca, quase como um estouro de pneu, mas sem fragmentos voando pelo ar”, explicou Petoniak.
De acordo com o próprio Pete Petoniak, o processo tem início quando as células que contêm água dentro do tronco congelam e expandem, forçando o colapso pontual da casca. Esse barulho seco, semelhante a um tiro distante ou a um carro falhando, assusta quem não conhece o mecanismo, mas não configura explosão química nem física, apenas ruptura mecânica.
Eric Otto, especialista em saúde florestal do Minnesota Department of Natural Resources, disse ao USA Today que o nome técnico correto é “frost cracking”. Otto afirma que espécies como bordo (maple), bétula (birch) e tília (linden) são mais suscetíveis, por terem casca mais fina. Segundo ele, regiões que raramente registram temperaturas negativas apresentam maior índice de rachaduras quando o frio intenso chega de forma repentina.
Bill McNee, também especialista em saúde florestal, mas do Wisconsin Department of Natural Resources, afirmou ao Milwaukee Journal Sentinel que “explosões” reais em árvores são extremamente raras. “Nunca vi um tronco estilhaçar com tanta força a ponto de ‘explodir’ de verdade. O que ocorre normalmente é uma falha de casca localizada que gera o som alto, mas não a fragmentação violenta”, detalhou McNee.
Por fim, Mike Augustyniak, meteorologista do CBS affiliate WCCO em Minneapolis, classificou como “clickbait” o uso da palavra explosão. Ele enfatizou que, se fosse uma mudança brusca de um dia ameno para temperaturas de até -20 °C, haveria mais chance de fissuras intensas. No entanto, transitar de -3 °C para -20 °C é considerado gradual o suficiente para que grande parte das árvores suporte sem danos significativos.

