
Olivia Jones em Eagle, Alasca, onde o inverno rigoroso e a motoneve fazem parte do dia a dia. (Foto: Instagram)
Olivia Jones e o marido deixaram St. Louis e retomaram as raízes no interior do Alasca, instalando-se em Eagle — um vilarejo com pouco mais de 100 moradores, situado após o fim da Rodovia Estadual 5 — para desacelerar a rotina. “Os marcos quilométricos acabam e, para chegar à nossa casa, só seguindo adiante”, conta Olivia Jones. Nesse cenário remoto, cada detalhe do dia a dia ganha um novo significado.
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Quando o emprego de TI do marido entrou em regime remoto durante a pandemia, o casal começou a planejar a mudança definitiva. Olivia Jones e o marido debateram por meses se valeria a pena trocar a vida urbana por uma comunidade tão isolada. A maior preocupação era o impacto sobre os quatro filhos, acostumados a esportes e aulas particulares em St. Louis. “Abrimos mão de atividades, mas ganhamos tempo de verdade em família”, resume ela.
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O sistema escolar de Eagle, com apenas 16 alunos, foi outro atrativo. Olivia Jones levou a família para conhecer a escola, onde crianças de todas as idades estudam juntas e colaboram nas lições. A própria mãe de Olivia atua como professora e diretora, e os maiores auxiliam os menores em atividades que vão de geografia a tecelagem de cestos. “Eles aprenderam a ensinar e floresceram em autonomia”, elogia Jones.
Adotar a vida rústica exigiu adaptações: a casa não fica na rede de água, e os Jones precisam transportar todos os litros até a propriedade, em viagens de dois quilômetros até um poço comunitário. O aquecimento principal vem de uma estufa a lenha, com reserva de óleo para emergências. “Passamos perto de –50 °C em dezembro, e o fogão de madeira não deu conta”, relata Olivia, destacando que fora do Wi-Fi não há sinal para ligações.
A alimentação também virou logística: a família trocou jantares fora por preparo integral das refeições. Em setembro, fez o último abastecimento na Costco, gastando o equivalente a R$20.000,00 em itens pesados como carne, farinha e açúcar — suprimentos para até oito meses. Quando a estrada se fecha, encomendas chegam por avião postal, com custo de R$1.500,00 mensais, somado a R$2.500,00 em custos de viagens e mais R$1.000,00 em compras via internet.
A solidariedade local é outro ponto forte. Vizinhos dividem lenha, organizam a ambulância voluntária e recebem médicos itinerantes a cada três meses. “Não vejo isso no ‘lower 48’”, diz Olivia Jones, que, mais do que desacelerar, sente que sua família passou a viver de forma mais intencional e comunitária.

