
Marta costeira registrada por câmera de trilha em área remota da Califórnia (Foto: Instagram)
Em um estudo recente da Oregon State University, pesquisadores registraram novamente martas costeiras — também conhecidas como martas de Humboldt — em câmeras de trilha instaladas em áreas remotas do norte da Califórnia. Essas descobertas confirmam a persistência de uma população que, por décadas, chegou a ser tida como extinta na região.
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Martas costeiras foram caçadas intensamente no século XX por conta de suas peles, levando à crença de que haviam desaparecido localmente. Somente em 1996, um biólogo do U.S. Forest Service identificou um pequeno grupo no entorno da cidade de Klamath. Desde então, a espécie permaneceu praticamente invisível até o levantamento conduzido pela Oregon State University em 2022.
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Para estimar o tamanho e a distribuição do grupo, os cientistas monitoraram uma área de aproximadamente 150 milhas quadradas ao leste de Klamath. Foram utilizados “hair snares” — armadilhas de fita adesiva e arame que recolhem amostras de pelos ao contato — e câmeras automáticas que disparam quando um animal passa. Esse método não invasivo permite reunir dados genéticos e de presença do animal em diferentes pontos do habitat.
Após três meses de coletas, os pesquisadores submeteram os fios de pelo a uma análise de DNA. O resultado indicou a existência de 46 martas costeiras no perímetro estudado, sendo 28 machos e 18 fêmeas. Esses números revelam a importância de cada indivíduo para a viabilidade genética da população, ainda tão reduzida.
Os registros de imagem apontaram que as martas se concentram em terrenos elevados, com topos de morro florestados e neve constante no inverno. Também foram observadas em ravinas e matas ribeirinhas à beira da costa. Essas preferências reforçam a necessidade de proteger ambientes de grande diversidade estrutural, capazes de abrigar diferentes estações do ciclo reprodutivo e alimentar.
Estima-se que hoje apenas 500 martas costeiras vivam nas florestas próximo ao litoral da Califórnia, o que corresponde a cerca de 5% do número anterior à caça predatória, segundo dados da revista Discover Wildlife. A espécie está listada como ameaçada pelo Endangered Species Act dos EUA, em função de fatores como perda de habitat, exposição a rodenticidas, atropelamentos e possíveis surtos de doenças.
“O habitat ideal combina características de floresta antiga com refugios naturais, mas essas áreas sofrem com incêndios cada vez mais intensos e práticas florestais nem sempre sustentáveis”, comenta Sean Matthews, ecologista de vida selvagem da Oregon State University. Ele acrescenta que ainda faltam respostas sobre a dinâmica populacional e sobre quais corredores florestais podem conectar subgrupos isolados.
As conclusões, publicadas em janeiro na revista Global Ecology and Conservation, servirão de base para orientar estratégias de conservação. Manter trilhas seguras para o deslocamento das martas e planejar queimadas controladas são algumas das medidas citadas pelos autores. O estudo contribui para um plano mais amplo de restauração ambiental e demonstra como técnicas não invasivas podem revelar segredos de espécies em risco.

