
Terra vista pela janela da cápsula Orion em plena missão Artemis II (Foto: Instagram)
A missão Artemis II avança rapidamente rumo ao espaço profundo. Na manhã deste sábado, 4 de abril, a espaçonave Orion superou a metade do caminho em direção à Lua. Os quatro astronautas a bordo partiram do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, na última quarta-feira. Eles são os primeiros humanos a deixarem a órbita terrestre baixa desde o fim do programa Apollo em 1972.
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A expectativa é que a tripulação alcance a esfera de influência lunar amanhã. Durante a jornada, a NASA liberou novas imagens capturadas pelos próprios astronautas. As fotos mostram a Terra vista de uma distância que poucos humanos já experimentaram. Os registros foram feitos pelo comandante da missão, Reid Wiseman, e revelam detalhes nítidos do planeta.
Uma das imagens recebeu o título oficial de Hello, World. Nela, a Terra é vista como uma esfera massiva suspensa na escuridão do espaço. É possível observar a vasta extensão azul do Oceano Atlântico e um brilho intenso em partes da atmosfera, causado pelo momento em que o planeta eclipsa o Sol. Filamentos brancos de nuvens formam redemoinhos sobre diversas regiões do globo.
Nas extremidades do planeta, pequenas luzes verdes indicam a presença das auroras polares nos polos norte e sul. Toda a iluminação registrada segue a curvatura natural da Terra, sem linhas retas. Outra fotografia, chamada Artemis II Looking Back at Earth, mostra apenas uma fatia curva do planeta surgindo através de uma das janelas da cápsula Orion.
As fotos geraram repercussão imediata em redes sociais como o X. Diversos usuários comentaram a clareza da curvatura terrestre nos registros. Um internauta afirmou que “a Artemis II acaba de enviar uma foto da Terra e os terraplanistas estão reiniciando sua realidade neste momento”. Outro usuário comentou que “a curvatura total da Terra está clara e não é plana”. Um quarto comentário dizia: “Bem, mais uma vez, parece que o pessoal da Terra plana está realmente errado. Obrigado, Artemis II”.
A captura dessas fotos ocorreu logo após a tripulação completar com sucesso a queima de injeção translunar nas primeiras horas de ontem. Esse procedimento motorizado foi o responsável por tirar a nave da órbita terrestre e colocá-la na trajetória precisa para encontrar a Lua. Segundo o especialista de missão Jeremy Hansen, o grupo ficou fascinado com o que via.
Hansen relatou ao controle da missão em Houston o entusiasmo da equipe. Ele disse: “Estamos tendo uma vista deslumbrante do lado escuro da Terra, iluminado pela Lua”. O astronauta canadense mencionou que todos estavam grudados nas janelas para acompanhar a mudança de perspectiva conforme se afastavam do planeta natal.
O entusiasmo da tripulação com a observação externa resultou em um detalhe curioso relatado pelo comandante Reid Wiseman. Por passarem tanto tempo próximos às janelas para fotografar e observar, os vidros acabaram ficando marcados. Wiseman chegou a perguntar ao centro de controle qual seria o procedimento adequado para limpar as janelas da Orion, já que elas estavam um pouco sujas devido ao uso constante.
Aproveitando a qualidade dos novos registros, a NASA realizou uma comparação direta entre as imagens da Artemis II e as fotos históricas da Apollo 17, tiradas há 54 anos. A agência destacou a evolução tecnológica, mas ressaltou a continuidade da aparência do planeta. Em um comunicado, a NASA escreveu: “Chegamos tão longe nos últimos 54 anos, mas uma coisa não mudou: nosso lar continua lindo visto do espaço!”.
A tripulação é composta por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. Eles viajam na cápsula Orion e devem chegar ao destino principal na segunda-feira. O plano de voo prevê que eles contornem o lado oculto da Lua, realizem uma manobra de retorno em formato de U e iniciem a viagem de volta à Terra sem realizar pouso ou paradas em órbita lunar.
Após a injeção translunar, os astronautas romperam a influência gravitacional predominante da Terra. Eles estão a caminho de uma distância de aproximadamente 402.336 quilômetros de casa. Essa marca representa o ponto mais distante que um ser humano já viajou no espaço.
Nesta sexta-feira e sábado, o trabalho a bordo se concentra na preparação para o voo rasante lunar. A rotina inclui testes rigorosos nos sistemas de comunicação por rádio. Além disso, a tripulação mantém a tarefa de registrar imagens de alta resolução tanto da Terra quanto da Lua conforme avançam pelo espaço profundo.
No domingo, 5 de abril, ocorre um marco físico importante. A espaçonave entrará na esfera de influência lunar. Nesse ponto, a força da gravidade exercida pela Lua passa a ser mais forte do que a atração gravitacional da Terra sobre o veículo. Também está previsto para amanhã um teste nos trajes espaciais para garantir que todos os sistemas de suporte à vida estejam operacionais para a fase de reentrada na atmosfera terrestre na próxima semana.
A segunda-feira, 6 de abril, é considerada o dia mais crítico da jornada de ida. A Artemis II passará pelo lado oculto da Lua. Essa região é frequentemente chamada de lado escuro, mas na realidade ela recebe mais luz solar do que a face que vemos da Terra. O termo existe apenas porque o lado oposto nunca é visível do nosso planeta devido ao fenômeno de acoplamento de maré, onde a Lua leva o mesmo tempo para girar em torno de si mesma e ao redor da Terra.
Nesta fase, os astronautas passarão cerca de 40 minutos sem qualquer contato de rádio com a base em Houston, pois a massa da Lua bloqueará os sinais. Durante esse período de silêncio, eles se dedicarão a fotografar a paisagem lunar de ângulos inéditos. Assim que a cápsula surgir do outro lado do satélite natural, a comunicação será restabelecida.
A partir de terça-feira, 7 de abril, inicia-se a jornada de retorno. O cronograma prevê um período de descanso para os astronautas após a intensa atividade na órbita lunar. Na quarta-feira, a tripulação realizará treinamentos específicos, como a montagem de um abrigo de radiação improvisado. Esse procedimento é vital para proteger o grupo no caso de ocorrência de explosões solares inesperadas durante o trajeto.
Ainda na quarta-feira, serão testadas vestimentas de compressão projetadas para evitar tonturas durante a transição da microgravidade para a gravidade terrestre. Os astronautas também realizarão exercícios de pilotagem manual da espaçonave, garantindo que possam assumir o controle caso os sistemas automáticos apresentem falhas.
A conclusão da missão está prevista para a sexta-feira, 10 de abril. Esta é a etapa mais perigosa, quando a cápsula Orion atingirá as camadas superiores da atmosfera terrestre a velocidades extremamente altas. O atrito gerará temperaturas de até 1.650°C no escudo térmico da nave.
Se todos os sistemas funcionarem como planejado, os paraquedas serão acionados para reduzir a velocidade de queda. O pouso ocorrerá no Oceano Pacífico, nas proximidades de San Diego. Equipes da NASA e da Marinha dos Estados Unidos já estarão posicionadas na região para realizar o resgate dos quatro astronautas e a recuperação da cápsula.


