
Dois amigos celebram com sorrisos largos numa festa de aniversário, balões de “Happy Birthday” ao fundo. (Foto: Instagram)
A produção de uma das maiores franquias de cinema de todos os tempos esconde uma sombra que muitos fãs desconhecem. Durante as filmagens de Harry Potter e as Relíquias da Morte, em 2009, um acidente grave alterou para sempre a vida de David Holmes. Ele era o dublê oficial de Daniel Radcliffe e sofreu uma lesão na coluna que o deixou paralisado do peito para baixo. O incidente ocorreu enquanto ele simulava uma cena de voo, sendo arremessado contra uma parede devido a uma falha técnica no equipamento de cabos.
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Greg Powell, o coordenador de dublês que trabalhou em todos os oito filmes da saga, ainda carrega o peso dessa tragédia. Ele era o responsável por supervisionar todas as manobras arriscadas no set. Mesmo anos após o fim da franquia, Powell admite que a culpa é um sentimento constante em sua vida. O profissional, que também trabalhou em Vingadores: Era de Ultron, teve sua história revisitada no documentário David Holmes: O Menino que Sobreviveu.
A relação entre o coordenador e o dublê é marcada por um laço de dor e carinho. Powell expressou sua angústia ao ver o amigo em sua nova condição física. “Ver ele realmente me machuca, dói de verdade. Eu luto contra isso, odeio saber como ele era, escalando e pulando”, confessou o coordenador durante as gravações do documentário. O impacto emocional é intensificado pelo fato de Powell ter sido a última pessoa a preparar David antes do salto fatal.
A dinâmica de segurança em um set de filmagem depende completamente da coordenação de dublês. Powell reflete sobre o momento exato em que a vida de Holmes mudou e como isso se tornou um fardo pessoal. Ele descreve a sensação de ser a figura central por trás da execução daquela manobra específica. “Eu odeio vê-lo assim. Da maneira mais gentil possível, eu queria nunca tê-lo conhecido quando o vejo desse jeito, porque ele não estaria assim se não tivesse me conhecido”, afirmou Powell.
O coordenador detalhou o choque de estar presente nos dois momentos cruciais daquele dia. “Eu fui o último a tocá-lo quando ele podia andar e o primeiro a tocá-lo quando ele não podia mais, e essa é uma sensação terrível”, revelou. Quando questionado se conseguia encarar o ocorrido apenas como um acidente de trabalho e ser menos duro consigo mesmo, Powell foi direto. “Eu tento, mas ainda me culpo porque eu estava lá. Mas ele ainda fala comigo, ele ainda me ama, eu acho, então isso é o principal”, disse.
A recuperação de David Holmes envolveu múltiplas cirurgias e sete meses de internação hospitalar. Durante esse período e nos anos seguintes, ele encontrou apoio em Daniel Radcliffe, que não apenas estrelou os filmes, mas também se tornou um amigo próximo e produtor executivo do documentário sobre o dublê. Radcliffe frequentemente cita Holmes como uma figura inspiradora que o ajudou a lidar com as pressões da fama e a transição de carreira após o término da saga Harry Potter.
“Eu vinha fazendo essa coisa de forma muito consistente e tinha toda aquela estrutura, e de repente tudo sumiu e eu entrei em queda livre muito rápido”, relembrou Radcliffe sobre o fim dos filmes. O ator buscou conselhos no antigo dublê para encontrar seu caminho. “Foi algo que conversei com Dave e ele foi, como sempre, uma estrela guia em tudo aquilo. Ele disse: ‘eu não vou deixar você jogar fora a oportunidade que você tem'”, contou o ator.
Atualmente, David Holmes atua como apresentador de podcast, autor e ativista. Ele fundou a Ripple Productions com amigos que também possuem paralisia e lançou sua biografia em 2024. No podcast Cunning Stunts, ele entrevista outros profissionais do setor para aumentar a conscientização sobre os riscos reais enfrentados nos bastidores de grandes produções de Hollywood.


