
Trump marca leitura bíblica no Salão Oval em meio a atrito com o Vaticano (Foto: Instagram)
Donald Trump confirmou que, amanhã, 21 de abril, às 18h no horário de Washington, fará a leitura de um trecho da Bíblia em uma mensagem de vídeo transmitida diretamente do Salão Oval. O anúncio ocorre em meio a um período de tensões entre o presidente dos Estados Unidos e o Vaticano, após críticas públicas ao Papa Leão. Este evento faz parte de uma semana de celebrações intitulada A América Lê a Bíblia, com o objetivo de renovar a fé e dedicar o país como uma nação sob a proteção divina.
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O trecho selecionado para a leitura é 2 Crônicas 7:11-22. Este texto bíblico narra o momento em que Deus aparece ao Rei Salomão, prometendo curar a terra e ouvir as orações do povo, desde que as leis e julgamentos divinos sejam seguidos. Esta passagem já havia sido usada anteriormente por líderes religiosos próximos ao presidente para descrever sua primeira vitória eleitoral em 2016 como uma resposta às preces.
Nos últimos dias, a relação de Trump com o líder da Igreja Católica sofreu um desgaste significativo. O Papa Leão condenou abertamente as ações militares dos Estados Unidos no Irã, utilizando frases duras como “Chega de idolatria de si mesmo e do dinheiro! Chega de demonstração de poder! Chega de guerra!”. Em resposta, o presidente americano usou suas redes sociais para classificar o pontífice como “fraco no combate ao crime e terrível para a política externa”.
A confirmação da leitura bíblica trouxe de volta ao debate público uma entrevista concedida por Trump em 2015 à Bloomberg Politics. Na ocasião, ao ser questionado sobre suas passagens favoritas das Escrituras, o então candidato deu respostas consideradas evasivas. Ele afirmou que a Bíblia significa muito para ele, mas se recusou a citar versículos específicos.
“Eu não gostaria de entrar nisso porque, para mim, isso é muito pessoal”, disse Trump na época. Quando os entrevistadores insistiram para saber se ele tinha preferência pelo Antigo ou pelo Novo Testamento, a resposta foi igualmente vaga. “Uh, provavelmente igual. Eu acho que é apenas um incrível… a Bíblia inteira é um incrível…”, declarou o presidente, sem completar o raciocínio ou detalhar sua conexão com os textos.
Na mesma entrevista, Trump mencionou que seu livro lançado em 1987, A Arte da Negociação, ocupava o posto de seu segundo livro favorito de todos os tempos, ficando atrás apenas da Bíblia. Esse histórico de declarações gera discussões constantes sobre o real conhecimento religioso do líder americano entre seus apoiadores e críticos.
Além do embate com o Papa, o uso de imagens manipuladas digitalmente intensificou o debate religioso nos Estados Unidos. Recentemente, Trump compartilhou em sua plataforma, a Truth Social, ilustrações que o colocam em posições messiânicas. Em uma delas, ele aparece vestindo uma túnica e realizando o que parece ser um ato de cura em um homem.
Outra imagem postada pelo presidente mostra a figura de Jesus Cristo com o braço sobre seus ombros, em um gesto de conforto e apoio. Na legenda da publicação, Trump escreveu: “Os lunáticos da esquerda radical podem não gostar disso, mas eu acho que é muito legal!!! Presidente DJT”. As postagens foram recebidas com acusações de blasfêmia por diversos setores religiosos, especialmente por terem sido divulgadas em um domingo, logo após os ataques verbais dirigidos ao Papa Leão XIV.
A leitura programada para amanhã é vista pela Casa Branca como um marco para uma resurgência histórica da religião em solo americano. Os organizadores do evento reforçam que o ato serve para honrar as Escrituras Sagradas em um momento de divisão nacional.


