
Protesto inusitado: homem carrega ossos da irmã ao banco para comprovar óbito e liberar herança (Foto: Instagram)
Em uma pequena comunidade tribal no estado de Odisha, no leste da Índia, um incidente incomum chamou a atenção, transformando um simples procedimento burocrático em algo impossível de ignorar.
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Jitu Munda, de 52 anos, tentava acessar o dinheiro deixado por sua irmã, Kalara Munda, após seu falecimento. A questão parecia fácil no papel, mas era complicada na prática: ele não possuía o certificado de óbito que o banco exigia. Sem esse documento, o processo não poderia seguir em frente.
Diante dessa exigência, Jitu tomou uma decisão drástica. Ele desenterrou os restos mortais da irmã e os levou até a agência bancária, tentando comprovar que ela estava realmente morta.
“Me pediram para provar se minha irmã estava viva ou morta. Como não tinha documentos, trouxe os restos para mostrar que ela estava morta”, disse ele em entrevista à BBC. Segundo ele, a frustração aumentou após várias solicitações de provas formais.
O episódio no banco
Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra Jitu chegando ao banco com um saco contendo ossos e posicionando-o na entrada do local. A cena gerou reações imediatas entre funcionários e clientes.
O banco, identificado como Indian Overseas Bank, contestou a versão apresentada por Jitu. Em comunicado, a instituição afirmou que nunca pediu qualquer tipo de “prova física” da morte e classificou essa alegação como incorreta.
Conforme o banco, o caso ocorreu por falta de entendimento sobre o processo de liberação de valores e pela recusa em seguir os procedimentos indicados, que incluíam a apresentação de documentos oficiais, como o certificado de óbito.
A instituição também alegou que Jitu teria chegado à agência em estado de embriaguez e que, após ser orientado e não atendido, retornou posteriormente com os restos mortais.
Burocracia e desfecho
Funcionários relataram que a situação foi considerada altamente perturbadora, levando à intervenção da polícia. O gerente da agência, Sushant Kumar Sethi, afirmou que, inicialmente, Jitu havia dito que a irmã estava viva, mas impossibilitada de comparecer ao banco, e que a equipe chegou a se oferecer para visitá-la em casa.
Com o desenrolar do caso, autoridades locais emitiram finalmente os documentos necessários, incluindo o certificado de óbito e a comprovação de herdeiros legais. O valor a ser retirado era de 19.402 rúpias, cerca de R$ 1.000.
Além disso, Jitu recebeu uma oferta de 30.000 rúpias, aproximadamente R$ 1.580, e foi orientado a realizar novamente o enterro dos restos mortais da irmã.
Na Índia, quando uma pessoa morre sem indicar um beneficiário direto em conta bancária, familiares precisam apresentar documentação oficial para acessar os valores. Em regiões mais remotas, esse processo pode levar tempo e gerar dificuldades para quem depende desses recursos.


