
Criador de conteúdo relata os efeitos de uma semana praticando “gooning” (Foto: Instagram)
Durante uma semana, um criador de conteúdo se aventurou em uma prática pouco conhecida fora de certos nichos da internet, mas que tem ganhado destaque em debates sobre comportamento e saúde mental. O experimento resultou em um relato direto sobre como hábitos aparentemente inofensivos podem rapidamente dominar a rotina.
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Chris Ivan, conhecido nas redes como CITV, decidiu experimentar o “gooning”, uma prática que envolve a estimulação prolongada até quase o clímax, interrompendo o ápice repetidamente para manter um estado de euforia. O objetivo era simples: testar por uma semana e demonstrar, na prática, os efeitos reais no corpo e na mente.
Antes de iniciar, ele já tinha um histórico que o deixava em alerta. Durante a adolescência, consumia conteúdo adulto várias vezes ao dia. Ao abandonar esse hábito por um longo período, relatou ter se tornado “extremamente sensível” ao voltar a esse tipo de estímulo.
“Isso é feito para te prender como uma droga”, afirmou. “E posso garantir que não há um único benefício em consumir pornografia ou praticar gooning de forma contínua.”
Primeiros sinais
Logo no primeiro dia, a mudança foi quase imediata. Após a primeira sessão, ele descreveu uma queda acentuada de energia à tarde, como se algo tivesse sido drenado dele. Mesmo sendo uma pessoa animada, relatou cansaço, irritação e dificuldade de concentração.
Curiosamente, junto com o desconforto, surgiu um desejo persistente de repetir a experiência. “A ideia de me expor novamente a esse conteúdo parece muito atraente, porque no geral não estou me sentindo tão bem quanto antes”, explicou.
No segundo dia, a sensação piorou. Ele acordou com a mente confusa, descrevendo o estado mental como “um cérebro derretido”, além de perceber uma redução na atenção e na clareza dos pensamentos. Ao mesmo tempo, enfrentava um conflito interno constante.
“Havia uma tentação de ver o conteúdo, mas no fundo eu sabia que não deveria. Mesmo assim, eu fazia. Eu me sinto muito culpado. Eu odeio isso, porque sei que não é saudável.”
A combinação de desejo e arrependimento começou a criar um ciclo difícil de interromper.
Efeito acumulado
A partir do terceiro dia, o impacto deixou de ser apenas pontual e passou a dominar a rotina. Chris relatou que começou a acordar mais tarde, enfrentava pensamentos negativos espontâneos e sentia que estava “lutando de verdade” para manter o controle.
A culpa pelo consumo frequente de conteúdo adulto passou a ser constante. Segundo ele, era como se esse sentimento estivesse “consumindo por dentro”. Tarefas simples do dia a dia, que antes eram feitas sem esforço, passaram a parecer obrigações pesadas.
Ao longo dos dias seguintes, esse padrão se manteve. A mente permanecia ocupada com pensamentos relacionados à prática, mesmo durante outras atividades. E quando cedia ao impulso, o resultado não trazia satisfação.
Ele descreveu a sensação como algo que o fazia se sentir apenas “normal”, não melhor. “Nem é mais empolgante”, comentou, destacando uma espécie de perda de resposta emocional ao estímulo.
Embora tenha relatado pequenas melhoras em momentos isolados, o quadro geral foi de desgaste contínuo. A motivação caiu, a irritabilidade aumentou e até pequenas frustrações do cotidiano passaram a parecer desproporcionais.
Depois da experiência
Ao final dos sete dias, Chris afirmou que passou todo o período sem vontade de fazer praticamente nada. A disposição para atividades comuns desapareceu, e a paciência ficou reduzida.
Um mês depois, ao olhar para trás, disse ter se surpreendido com a diferença na qualidade de vida. Comparando os dois momentos, destacou como a rotina sem o hábito parecia mais leve, estável e funcional.
Segundo ele, o objetivo do experimento nunca foi promover a prática, mas mostrar como ela pode evoluir rapidamente para algo difícil de controlar. “É para mostrar os perigos reais, a força mental disso, as desculpas que o cérebro cria e o que realmente foi necessário para eu parar.”
Especialistas apontam que a masturbação, por si só, pode fazer parte de uma vida saudável. A médica Jen Claude explicou em um vídeo de 2024 que não existe um limite universal sobre frequência, já que isso varia de pessoa para pessoa.
No entanto, ela ressalta que o comportamento se torna um problema quando começa a interferir na rotina, nos relacionamentos ou no trabalho. Em alguns casos, pode assumir características compulsivas, exigindo avaliação profissional.
Nesse cenário, práticas intensificadas e associadas ao consumo frequente de conteúdo adulto tendem a aumentar o risco de desenvolver uma relação desequilibrada com o próprio comportamento, especialmente quando passam a influenciar diretamente o humor, a motivação e os hábitos diários.


