Já imaginou passar 20 anos sendo picado por cobras venenosas? Isso parece algo meio maluco de se fazer, mas foi exatamente o que o americano Tim Friede se submeteu para conseguir respostas em um experimento extremo. Durante cerca de duas décadas, ele se expôs repetidamente a venenos de serpentes, chegando a sobreviver a mais de 200 mordidas. O objetivo era desenvolver uma espécie de imunidade às toxinas e entender até onde o corpo humano poderia resistir.
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Agora, essa experiência incomum pode ajudar a ciência a desenvolver um tratamento mais eficaz contra algumas das cobras mais perigosas do planeta. Pesquisadores da empresa de biotecnologia Centivax e de universidades parceiras analisaram os anticorpos presentes no sangue de Friede e os utilizaram para criar um antiveneno experimental.
O estudo, publicado na revista científica Cell, apresentou resultados promissores. Em testes com camundongos, o coquetel sintético de anticorpos conseguiu proteger os animais contra doses letais do veneno de 13 espécies altamente perigosas, entre elas a mamba-negra e a taipan. A proposta dos cientistas é desenvolver um antiveneno com ação mais ampla do que os tratamentos tradicionais.
Atualmente, muitos antivenenos são específicos para determinadas espécies, o que pode ser um problema quando a cobra responsável pela mordida não é identificada. Apesar dos resultados animadores, o tratamento ainda está em fase experimental e não pode ser utilizado em pessoas. Serão necessários novos estudos para avaliar sua segurança e eficácia em humanos.
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A história de Friede, que durante anos submeteu o próprio corpo a uma exposição extrema a venenos, acabou fornecendo aos pesquisadores uma fonte rara de anticorpos. O que começou como um experimento pessoal pode, agora, contribuir para a criação de uma nova geração de antivenenos capazes de salvar vidas.


