Virginia Fonseca conseguiu se destacar no GP da Espanha de Fórmula 1, realizado no último fim de semana. Com uma calça Namilia inspirada no motocross, que apresentava grandes recortes laterais e deixava o quadril quase exposto, a influenciadora chamou atenção ao lado de Vini Jr., ganhando manchetes e repercussão internacional. Porém, novamente, o foco não foi em seus negócios, trajetória ou capacidade empresarial, mas sim na polêmica gerada.
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Para alguém que parece estar expandindo sua presença internacional, essa diferença é significativa. Ser notícia fora do Brasil não garante relevância internacional. Quando a estratégia de exposição é constantemente baseada em choque, excesso ou controvérsia, há o risco de criar uma imagem conhecida apenas por provocar, mas não por representar algo concreto.
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Ana Carolina Gaivota, especialista em imagem e posicionamento, pontua que atenção e reputação não são sinônimos: “Um visual provocativo gera fotos, comentários, críticas e compartilhamentos”, opinou. Ela completou dizendo que, nesse contexto, até quem não gosta acaba ajudando a manter o nome circulando. Existe uma diferença entre ser admirada e ser lembrada, e a construção de imagem também envolve memória.
A questão se torna ainda mais evidente quando Virginia Fonseca já não precisa lutar para ser vista. Com milhões de seguidores, empresas, dinheiro, influência e acesso a grandes eventos, insistir na lógica de “quanto mais falarem, melhor” pode ter o efeito oposto: a polêmica deixa de ser uma ferramenta e passa a limitar a imagem. Se toda aparição precisa ser mais ousada para gerar manchetes, a estratégia começa a depender de uma escalada permanente de exposição.
Juliana Nascimento, estrategista de imagem, questionou: “O look trouxe uma exposição corporal bastante evidente, até mesmo a marca de biquíni. Isso fez com que o corpo se tornasse o principal elemento da narrativa visual. E aqui está uma reflexão importante sobre imagem: aquilo que chama atenção nem sempre constrói posicionamento. Visibilidade e reputação são coisas diferentes”, declarou.
Para o fotógrafo de celebridades Fabio Bahiense, a estética das imagens de famosos se tornou parte da disputa por atenção: “O paparazzi hoje não só documenta, mas pode se transformar em ferramenta de marketing. Um flagra se apropria da credibilidade do fotojornalismo, viraliza rapidamente e pode transformar uma imagem ou produto em desejo”, explicou.
No entanto, Fabio alertou sobre o risco de a estratégia se tornar muito evidente: “O real possui reação de defesa, pressa, enquadramento muitas vezes imperfeito, um olhar desviado da câmera. Perfeição demais, eu desconfio. Repetição, posição do objeto, enquadramento e iluminação também podem mostrar quando aquilo deixou de ser apenas um registro espontâneo”, apontou.
Polêmica gera cliques. Exposição gera alcance. Mas uma carreira internacional exige algo mais difícil de conquistar: reputação. Se o público começa a perceber que cada aparição precisa provocar, o risco é Virginia conseguir exatamente o que busca, atenção, mas não necessariamente o respeito e o posicionamento que talvez queira construir fora do Brasil.


