
Bolsa experimental em ‘couro’ de fungos desenvolvida na Finlândia (Foto: Instagram)
Pesquisadores da Finlândia fizeram avanços significativos ao criar um tecido a partir de fungos que se assemelha ao couro animal em termos de aparência e algumas propriedades. Este material inovador é resistente, flexível e biodegradável. A equipe já conseguiu produzir uma bolsa experimental e está explorando o potencial uso da tecnologia na fabricação de roupas e acessórios. O desenvolvimento ocorreu no Centro de Pesquisa Técnica VTT, na Finlândia, e os resultados foram publicados na revista científica ACS Applied Bio Materials, que se concentra em novos materiais.
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A ideia é oferecer uma alternativa ao couro tradicional e aos materiais sintéticos derivados do petróleo usados na moda. Além de não utilizar matéria-prima animal, o novo tecido mostrou resultados promissores em testes de decomposição. O segredo do material está no micélio, uma rede de filamentos que faz parte da estrutura dos fungos. Estas fibras crescem naturalmente no solo e na madeira e podem ser transformadas em materiais com características semelhantes às dos tecidos.
A pesquisa utilizou o fungo Trichoderma reesei, cultivado em tanques com água e nutrientes, semelhantes aos usados na fabricação de cerveja. Durante seu crescimento, o fungo gera uma massa espessa que, após ser coletada e lavada, recebe adição de celulose e sorbitol, substâncias que aumentam a resistência e flexibilidade. A mistura é então espalhada em camadas finas e seca para formar folhas que lembram o couro, permitindo ainda a adição de cores e texturas.
Para demonstrar as possibilidades do tecido de fungos, os pesquisadores fabricaram uma bolsa tingida de preto, combinada com uma base têxtil e uma alça de madeira. Também testaram uma técnica de fabricação contínua com rolos, semelhante à indústria de papel, produzindo uma faixa de cerca de 20 centímetros de largura e oito metros de comprimento. Em testes de resistência à tração, algumas formulações tiveram desempenho comparável ao couro tradicional.
O pesquisador Manuel Arias-Barrantes destacou que um dos principais avanços foi encontrar uma maneira de produzir o material em grande escala, superando um dos desafios enfrentados pelas alternativas ao couro animal. Outra vantagem do novo tecido é sua biodegradabilidade. Em testes em ambiente aquático, cerca de 77% do material se decompôs em 28 dias, e em condições de compostagem industrial, as amostras se desintegraram completamente em cerca de seis semanas.
Apesar dos progressos, a tecnologia ainda precisa de melhorias antes de ser lançada no mercado. Os pesquisadores estão focados em aumentar a resistência ao rasgo e ao desgaste, características essenciais para o uso diário. A equipe também planeja aperfeiçoar o processo de fabricação, aproveitando equipamentos já existentes nas indústrias de biotecnologia e impressão para viabilizar a produção comercial.


