
Psiquiatra é condenado a mais de 10 anos de prisão por atropelar dois ciclistas na SP-333; um deles morreu e o outro ficou com sequelas permanentes. (Foto: Instagram)
São Paulo — O médico psiquiatra Oswaldo Luis Junior Marconato foi condenado pela Justiça a 10 anos de prisão por atropelar dois ciclistas na Rodovia SP-333, na altura de Guarantã, interior de São Paulo, em junho de 2024. Um deles morreu no local, enquanto o outro sofreu ferimentos graves no pé e na coluna, além de sequelas permanentes na mobilidade.
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A sentença foi proferida nessa terça-feira, 27 de outubro, pela Vara Única de Cafelândia. O psiquiatra recebeu pena de 10 anos, 10 meses e 20 dias de prisão em regime inicial fechado, por homicídio culposo e lesão corporal grave na direção de veículo sob influência de substâncias psicoativas, com aumento da pena pela omissão de socorro.
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Ele também teve a habilitação suspensa por três anos e seis meses e deverá pagar indenizações mínimas de R$ 100 mil aos familiares da vítima fatal e R$ 50 mil ao ciclista sobrevivente.
MÉDICO JÁ HAVIA EXTRAPOLADO LIMITE DE VELOCIDADE
O caso ocorreu em 29 de junho de 2024, quando Marconato seguia para o trabalho dirigindo sob o efeito combinado de medicamentos psiquiátricos e acima do limite de velocidade. Minutos antes da colisão, ele já havia sido multado por um radar na rodovia.
O acidente aconteceu no quilômetro 293 da Rodovia Dona Leonor Mendes de Barros (SP-333). O médico saiu da pista, entrou no acostamento e atingiu os dois ciclistas por trás. Com o impacto, um deles teve lesões graves na cabeça e na coluna e morreu no local. O outro foi lançado para a lateral da rodovia e socorrido em estado grave, com ferimentos no pé, no peito e na coluna.
Policiais rodoviários que atenderam a ocorrência relataram que o motorista tinha fala arrastada, dificuldade para se equilibrar, falta de coordenação motora e sonolência. Ele chegou a dormir na ambulância e na viatura policial. Embora o teste do bafômetro não tenha apontado álcool no organismo do médico, um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) confirmou sinais causados pela combinação de medicamentos psicoativos.
A promotoria afirmou que as vítimas pedalavam em fila única, pelo acostamento da rodovia e usando equipamentos de segurança. “Não se trata de ‘acidente’ corriqueiro, mas de crime brutal, que desestruturou a família do ciclista falecido e abalou a vida do ciclista sobrevivente”, declarou o promotor. A vítima fatal foi identificada como Elissandro Hipocreme, de 44 anos.
No processo, a defesa do psiquiatra argumentou que a luz do sol o ofuscou e teria provocado o acidente. O juiz, porém, entendeu que as condições de iluminação eram visíveis nas imagens registradas pelo radar, que o motorista ultrapassou em alta velocidade.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) também determinou a abertura de um inquérito para investigar um possível falso testemunho prestado por um médico em defesa do motorista. O réu ainda pode recorrer em liberdade.
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