
O apoio psicológico pode ajudar pacientes com câncer a enfrentar os desafios emocionais do tratamento e a manter o diálogo com a equipe de saúde. (Foto: Instagram)
O diagnóstico de câncer pode afetar profundamente a vida de qualquer pessoa. Além dos sintomas físicos, medos, incertezas e mudanças bruscas na rotina provocam um turbilhão emocional e trazem desafios importantes.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
Nesse contexto, o apoio psicológico é uma ferramenta importante para enfrentar o tratamento com mais qualidade de vida e seguir as orientações médicas.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
A psico-oncologia não deve ser considerada apenas um recurso para situações extremas ou momentos de crise. Profissionais da oncologia e da psicologia defendem que o acompanhamento emocional esteja presente, idealmente, desde a confirmação do diagnóstico e seja reavaliado ao longo do tempo.
A psicóloga Anastacia Cristina ressalta que a saúde mental também pode afetar a capacidade do paciente de cumprir o cronograma terapêutico.
O tratamento do câncer requer disciplina, com medicações contínuas em casa, exames periódicos e datas definidas para sessões de quimioterapia ou radioterapia. Angústia intensa, esgotamento emocional ou medo desproporcional podem levar a esquecimentos de horários, faltas e até ao isolamento.
Anastacia observa que a angústia intensa pode prejudicar a concentração, fazer a pessoa esquecer horários ou perder a motivação, além de levá-la a evitar situações por medo ou a associar o tratamento a algo insuportável.
SOFRIMENTO EMOCIONAL NÃO TRATADO AFETA O FUNCIONAMENTO DO ORGANISMO
O sofrimento emocional sem tratamento, como ansiedade e estresse prolongado, pode prejudicar a saúde física ao interferir no sono, na disposição e na rotina do paciente. Diante de sinais como desânimo e isolamento, o apoio especializado é indispensável.
Nesse cenário, integrar a oncologia a áreas como psicologia e cuidados paliativos contribui para um atendimento humanizado e para fortalecer o paciente diante dos desafios do câncer, com mais dignidade.
A oncologista Roberta Galvão, especialista em oncogenética, afirma que, quando há dificuldade para seguir as orientações médicas, a equipe multiprofissional deve evitar julgamentos e procurar entender os obstáculos.
Ela destaca que a omissão ou a vontade de interromper os cuidados muitas vezes estão ligadas ao medo do desconhecido, à preocupação com efeitos colaterais ou ao cansaço acumulado.
Roberta reforça que a escuta ativa é essencial: um ambiente em que o paciente possa perguntar, falar sobre seus medos e entender o plano terapêutico ajuda a tornar o desconhecido mais concreto e possível de administrar.
DIÁLOGO TRANSPARENTE E DECISÃO COMPARTILHADA
Uma comunicação clara entre médico, paciente e família reduz o temor diante do diagnóstico e evita que a falta de informação seja preenchida pelos piores cenários.
As diretrizes da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) destacam a importância de um cuidado centrado no paciente, que valorize o acolhimento psicossocial e a decisão compartilhada. Uma comunicação empática não esconde realidades difíceis, mas apresenta as informações de forma gradual, acessível e humana.
Anastacia afirma que o paciente precisa se sentir à vontade para dizer que não entendeu, que está com medo ou que precisa de uma nova explicação. Esclarecer o cenário de maneira realista ajuda a reduzir a sensação de perda de controle sobre a própria vida.
ESTADO EMOCIONAL CONTRIBUI, MAS NÃO DEFINE O SUCESSO DO TRATAMENTO
Especialistas ressaltam que o estado emocional do paciente não determina diretamente o resultado do tratamento oncológico. Assim, desfazem a ideia de que pensar positivo garante a cura ou que a tristeza impede a melhora.
Embora o estresse crônico provoque alterações neuroendócrinas e imunológicas, Roberta e Anastacia observam que os efeitos da saúde mental no tratamento costumam ocorrer, sobretudo, de forma indireta.
Tags: câncer, psicologia, saúde


