
Crise no Ueno Bank abala o governo de Santiago Peña e amplia a turbulência política no Paraguai. (Foto: Instagram)
A renúncia de Santiago Peña à Presidência do Paraguai, anunciada nessa quinta-feira (5/11), representa mais um revés para a direita latino-americana. O presidente deixou o cargo em meio ao colapso do Ueno Bank, instituição financeira que reunia milhões de clientes e concentrava recursos públicos. A crise também expôs relações entre o governo e o grupo que controla o banco.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
A saída de Peña ocorre em meio à turbulência enfrentada por diferentes lideranças conservadoras do continente. Na Argentina, Javier Milei enfrenta dificuldades políticas e econômicas; no Brasil, Flávio Bolsonaro (PL) foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial e fugiu para os Estados Unidos, interrompendo a onda pró-Trump na América Latina.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
Apesar de não formarem um bloco ideologicamente homogêneo, esses líderes têm em comum pautas conservadoras, críticas à esquerda e aproximação política com Donald Trump. A queda de Peña, um dos aliados de Washington na América do Sul, aumenta as incertezas sobre essa articulação.
ESCÂNDALO BANCÁRIO DERRUBOU PEÑA
A intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) no Ueno Bank, na terça-feira (3/11), foi o estopim da crise. A autoridade monetária constatou que o índice de solvência do banco estava abaixo do mínimo de 50% previsto em lei.
A decisão suspendeu as atividades da instituição e deixou quase 3 milhões de clientes sem acesso a serviços financeiros, em um país com aproximadamente 6,1 milhões de habitantes. O banco também concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, entre eles recursos do Instituto de Previdência Social (IPS).
As investigações levantaram suspeitas de empréstimos irregulares a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, controlador do banco. O escândalo atingiu Peña, que foi acionista do grupo até março de 2025.
A crise se tornou política depois que o presidente perdeu o apoio de seu próprio Partido Colorado. Horacio Cartes, ex-presidente e uma das principais lideranças da legenda, declarou apoio ao julgamento político de Peña.
O mandatário anunciou que renunciaria na quinta-feira, mas a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o prosseguimento do impeachment. O Senado convocou Peña para apresentar sua defesa nesta sexta-feira (6/11). O vice-presidente Pedro Alliana é o nome previsto para assumir o Executivo.
A DIREITA LATINA E SUAS NOVAS FACES
A crise no Paraguai afeta um movimento formado por projetos políticos distintos. Peña representava uma corrente mais tecnocrática e liberal, que defendia atrair investimentos estrangeiros, manter disciplina fiscal e reduzir a intervenção estatal na economia.
Na Argentina, Javier Milei é um dos principais representantes do ultraliberalismo econômico. O presidente chegou ao poder com um discurso contrário à estrutura política tradicional e uma agenda de redução do Estado. Peña tinha proximidade ideológica com o argentino, que já apontou o Paraguai como referência econômica para a região.
Em El Salvador, Nayib Bukele firmou outra vertente da direita, marcada pelo endurecimento das políticas de segurança pública e pelo combate às organizações criminosas. Seu modelo ganhou destaque internacional pela política de encarceramento em massa e pela suspensão de garantias constitucionais durante o regime de exceção.
No Chile, José Antonio Kast representa uma corrente conservadora cujas principais bandeiras incluem o combate à criminalidade, o controle migratório e a defesa de valores tradicionais.
No Brasil, o bolsonarismo faz parte desse campo político com uma agenda conservadora e forte oposição à esquerda. Flávio Bolsonaro, que disputou a Presidência em 2026, escreve atualmente um capítulo emblemático da relação entre a direita brasileira e o governo Trump.
PARAGUAI ERA PEÇA ESTRATÉGICA DE TRUMP
A saída de Peña do comando paraguaio também significa a perda de um dos principais interlocutores de Washington na América do Sul. Durante seu governo, o Paraguai ampliou a cooperação com os Estados Unidos nas áreas de segurança, defesa e inteligência.
O país aderiu ao chamado Escudo das Américas, iniciativa articulada pelo governo Trump para enfrentar o narcotráfico e organizações criminosas. Também aprovou um acordo bilateral que prevê condições para a presença temporária de militares e funcionários civis norte-americanos em território paraguaio.
Na política externa, Assunção manteve alinhamento com Washington em temas estratégicos, como o combate à influência chinesa na região. O Paraguai também tem uma posição diplomática singular na América do Sul, pois mantém relações oficiais com Taiwan, em vez de reconhecer Pequim.
A queda de Peña, porém, não tira a direita paraguaia do poder. Pedro Alliana, integrante do mesmo Partido Colorado, sucederá o presidente e não deve promover mudanças imediatas nessas orientações. A continuidade dos acordos, contudo, poderá ser afetada pela crise política e pela pressão interna sobre as decisões do governo anterior.
Tags: América Latina, direita, Paraguai


