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Máfia chinesa, PCC e milícia: o submundo explosivo da 25 de Março que irritou os EUA

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A tradicional região de comércio popular da rua 25 de Março e do Brás, no centro de São Paulo, está no centro de uma investigação internacional liderada pelos Estados Unidos. Alvo de um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), a área foi classificada como um dos maiores centros de pirataria e falsificação do mundo — mas os problemas vão muito além da venda de produtos ilegais.

Investigações brasileiras revelam que o local se tornou um reduto de atuação de organizações criminosas como a máfia chinesa, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e milícias formadas por policiais. A máfia chinesa, por exemplo, utilizava lojas de fachada para lavar dinheiro de golpes virtuais, convertendo os lucros em armas. Laranjas eram recrutados para abrir contas bancárias e movimentar milhões, enquanto comerciantes chineses eram extorquidos sob ameaça de morte. Três homicídios foram confirmados entre 2014 e 2017 ligados à recusa em pagar essas “taxas”.

Paralelamente, uma milícia composta por policiais civis e militares foi denunciada por extorquir ambulantes na Feira da Madrugada. Os valores cobrados variavam de R$ 50 por metro quadrado a até R$ 18 mil por ano. Os milicianos usavam cadernetas e fitas métricas para controlar os pagamentos, recorrendo a ameaças e violência contra os inadimplentes.

Já o PCC utilizava o comércio da região para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas. Um doleiro chinês intermediava pagamentos entre lojistas brasileiros e fornecedores na China, repassando parte do dinheiro a traficantes da facção que atuavam na Europa. O esquema permitia o envio de remessas sem deixar rastros financeiros.

A ofensiva norte-americana provocou reação dos comerciantes locais. A associação Univinco, que representa os lojistas da 25 de Março, repudiou as acusações, destacando que a maioria dos estabelecimentos é legalizada e contribui com a economia formal. Um protesto simbólico reuniu manifestantes fantasiados de Donald Trump e Jair Bolsonaro, além de militantes do PCdoB, em defesa do comércio popular.

O caso revela uma complexa teia de ilegalidades, corrupção e violência que transforma o coração comercial de São Paulo em um palco de disputas entre o crime organizado e o poder público — agora sob os olhos atentos da comunidade internacional.

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