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Especialista em relacionamentos revela hábito comum entre traidores

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Especialistas discutem o entorpecimento afetivo por trás da traição (Foto: Instagram)

A traição é frequentemente analisada pelo impacto que causa: a quebra de confiança, a dor e a sensação de que algo íntimo foi removido. No entanto, a psicoterapeuta belga Esther Perel, uma das figuras mais respeitadas em estudos sobre relacionamentos modernos, intimidade e desejo, identifica um padrão recorrente em casos de infidelidade: uma sensação que ela chama de "deadness", que pode ser traduzida como "apagamento emocional" ou "entorpecimento afetivo".

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Embora o termo pareça pesado, descreve algo mais sutil. Não implica necessariamente no fim do amor. Em muitos casos, a pessoa ainda sente amor pelo parceiro, valoriza a relação e reconhece a história compartilhada. O problema é outro: uma sensação persistente de que uma parte de si está estagnada, sem novidade, desejo ou presença.

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A especialista em relacionamentos Jess Matthews, comentando as pesquisas de Perel, explica que esse estado pode surgir tanto internamente quanto na dinâmica do casal. É aquela rotina que não explode, mas desgasta. Não há grandes cenas dramáticas, mas sim pequenas ausências repetidas: menos conversa verdadeira, menos curiosidade, menos intimidade, menos surpresa.

O que significa esse apagamento emocional

De acordo com Matthews, a "deadness" descreve uma combinação de dormência emocional, desconexão e erosão pessoal. Em outras palavras, a pessoa começa a se sentir menos viva dentro da própria relação ou vida.

Isso pode ocorrer de várias maneiras. A rotina se transforma em um trilho fixo. O desejo perde espaço. A comunicação se torna funcional, quase administrativa. O casal fala sobre contas, filhos, horários, tarefas e problemas, mas para de discutir vontades, medos, fantasias, frustrações e sonhos.

Alguns sinais comuns desse estado incluem:

• Sentir que o casal se tornou mais uma dupla de amigos do que parceiros românticos
• Perceber tédio ou vazio na própria vida pessoal
• Cansar de sempre assumir o papel de "adulto responsável", "pai", "mãe" ou "pacificador" na relação
• Sentir falta de espontaneidade, desejo e intimidade

O ponto central é que a pessoa pode continuar gostando do parceiro e, ao mesmo tempo, ser incomodada pela sensação de que algo essencial desapareceu.

Por que isso pode levar à traição

A explicação de Perel não justifica a traição nem minimiza o sofrimento do parceiro traído. O objetivo é entender o mecanismo por trás do comportamento. Para ela, muitas pessoas não traem apenas para ferir o outro. Elas traem porque querem sentir algo que acreditavam ter perdido.

Matthews resume essa ideia dizendo que quem trai, muitas vezes, "quer se sentir vivo de novo". A infidelidade, nesse contexto, funciona como uma fuga. Não resolve o problema real, mas oferece uma sensação intensa de novidade, validação, desejo e identidade.

Ela também observa que, em muitos casos, a traição nasce de uma falta ou insegurança dentro da própria pessoa. Pode ser uma tentativa egoísta de escapar de questões profundas sem enfrentá-las diretamente. A aventura vira uma espécie de atalho emocional: por alguns momentos, a pessoa não se sente apagada, previsível ou presa em um papel.

Esse é justamente o perigo. A traição pode parecer uma explosão de vida para quem a comete, mas costuma deixar um rastro de dor, culpa e ruptura para todos os envolvidos.

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