
Sidônio Palmeira negou ter pedido para deixar a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, após a divulgação de relatos sobre uma possível saída. (Foto: Instagram)
Aos 68 anos, depois de quase duas décadas fazendo campanhas do PT, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, pediu para deixar o governo Lula. Segundo a apuração, o publicitário nascido em Vitória da Conquista pretende usar a reeleição do presidente como cartão de visitas para disputar campanhas em outros países e já enviou o colega Rafael Marroquim para abrir caminho no exterior.
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(Atualização às 18h28: em nota enviada à coluna, o ministro negou ter pedido para sair do governo e solicitou que a matéria fosse alterada. A coluna respondeu que confia na fonte da informação.)
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Marroquim é marqueteiro de João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife. Desde 2025, ele ajuda o ministro na estratégia digital do governo e ficou conhecido como mago na Argentina, país que a dupla vê como porta de entrada para o mercado latino-americano.
O desejo de sair era confidenciado a amigos desde a vitória de 25 de outubro, sempre sob o argumento de que havia chegado a hora de retomar os negócios privados. No início do ano, Sidônio havia acertado com Lula que deixaria a Secom em junho para cuidar do marketing da campanha, mas permaneceu a pedido do presidente e indicou o parceiro Raul Rabelo para assumir formalmente a comunicação eleitoral.
O primeiro turno, porém, não deu a Sidônio a história que gostaria de contar. Lula ficou atrás de Flávio Bolsonaro, com 45,16% contra 47,03%, em uma campanha que o próprio presidente definiu como a mais desorganizada que já fez. Pressionado pelo partido, o ministro tirou férias em 12 de outubro para se dedicar à reta final.
A virada ganhou força nas ruas e nos celulares dos eleitores. O canal Exército do Lula, criado pelo deputado André Janones, saltou de 2 milhões para mais de 10 milhões de seguidores e manteve a militância mobilizada do primeiro ao último dia da disputa.
Entre aliados de Sidônio, a versão é que o segundo turno foi resultado de um reposicionamento liderado por ele, incluindo a mobilização digital. Quem acompanhou minimamente a campanha sabe a quem o presidente fez questão de agradecer publicamente na noite da vitória, com quem gravou a transmissão ao vivo da vitória e quem convidou para a próxima viagem internacional. Trata-se do mesmo deputado mineiro do bordão “pessoal, urgente”, chamado pelo partido de Pedro Sánchez para ajudar nas eleições espanholas. Janones também concedeu entrevista exclusiva ao programa Que Dia.
Na bagagem, estão ainda decisões polêmicas, como anunciar a isenção do Imposto de Renda junto ao pacote de cortes de 2024, o que confundiu a mensagem fiscal, e o reajuste de 15% do Bolsa Família decretado a 17 dias do primeiro turno, cuja ordem nos bastidores é atribuída a ele.
Um dos últimos palpites do ministro foi estimular na imprensa a interpretação de que o pronunciamento de Lula neste domingo (8/11) seria um aceno ao mercado. A economia é mencionada apenas de passagem no discurso, que tem como eixo a democracia e a soberania e agradece a idosos, jovens, mulheres e trabalhadores que garantiram a virada — um recado mais voltado às ruas do que à Faria Lima.
Sidônio chegou ao Planalto como o homem capaz de traduzir o governo para o eleitor. Deixa o cargo com um portfólio vistoso, embora sua página mais bonita tenha sido escrita por outras mãos.
Tags: Secom, Sidônio Palmeira, Lula, Rafael Marroquim, André Janones


