
Pinça retirando pelo encravado na pele (Foto: Instagram)
Puxar um pelo encravado na área íntima pode parecer uma solução rápida e fácil. Ao perceber uma pequena protuberância, a pessoa pode sentir desconforto e usar uma pinça para tentar resolver o problema em questão de segundos. No entanto, o médico Tony Banerjee, da HarleyDoc, alerta que esse gesto simples pode transformar um pequeno incômodo em uma situação muito mais dolorosa.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
Os pelos encravados surgem quando o fio se curva ou cresce lateralmente, penetrando na pele ao invés de sair normalmente. Isso causa uma reação inflamatória que pode deixar a área avermelhada, sensível, inchada e coçando. O problema é mais frequente em áreas que são frequentemente depiladas ou barbeadas, como a virilha, axilas, peito e rosto.
Na região íntima, a pele tende a ser mais sensível, e o atrito com roupas apertadas pode agravar o problema. Tentar remover um pelo que ainda está preso sob a pele pode abrir uma porta para bactérias.
O risco escondido na pinça
Banerjee explica que "os pelos encravados ocorrem quando um pelo se curva ou cresce lateralmente para dentro da pele, desencadeando uma resposta inflamatória local". Quando as pessoas tentam removê-los, especialmente se o pelo ainda está preso sob a superfície, acabam causando microtraumas na pele ao redor. Esses pequenos ferimentos rompem a barreira natural da pele e podem introduzir bactérias no folículo, como a Staphylococcus aureus.
O resultado pode ser uma inflamação mais severa. A área pode ficar mais vermelha, inchada, dolorida e, em alguns casos, evoluir para foliculite, pequenas pústulas ou até abscessos. Repetir a manipulação no local também aumenta o risco de manchas pós-inflamatórias e cicatrizes, principalmente em pessoas com tons de pele mais escuros.
A pressa é uma das grandes vilãs. Segundo o médico, um erro comum é tentar remover o pelo cedo demais, antes que ele esteja perto o suficiente da superfície. Usar pinças, agulhas ou os próprios dedos para "cavar" a pele tende a fazer mais mal do que bem.
Alguns erros frequentes incluem:
• usar ferramentas não esterilizadas
• espremer a área com força
• puxar o pelo pela raiz em vez de apenas soltá-lo da pele
• passar esfoliantes agressivos quando a pele já está inflamada
• raspar a região com lâminas cegas ou sem cuidado
Quando procurar atendimento médico
Nem todo pelo encravado exige consulta médica. Muitas vezes, ele melhora sozinho quando a pele é deixada em paz. O problema começa quando há sinais de infecção ou inflamação intensa.
De acordo com o NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, é recomendado procurar um médico se o pelo encravado ou a área ao redor estiver extremamente dolorida, inchada ou quente. Também é importante buscar atendimento se houver febre, sensação de calor no corpo ou mal-estar.
Em alguns casos, o médico pode remover o fio com um bisturi esterilizado. Se houver irritação significativa, pode ser indicado um creme com corticoide. Quando existe infecção mais séria, antibióticos podem ser necessários.
A prevenção envolve cuidados simples, mas constantes. Aparar os pelos em vez de raspá-los muito rente pode reduzir o risco. Também é importante usar equipamentos limpos, evitar lâminas velhas, não esticar demais a pele durante o barbear e respeitar qualquer sinal de irritação. Quando a pele já está vermelha ou sensível, insistir na depilação é como mexer em um alarme que já está tocando.


