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Vítima de estupro se junta ao agressor para contarem suas histórias

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Vinte anos depois de ser abusada pelo então namorado, a islandesa Thordis Elva reencontrou Tom Stranger, australiano que tinha 18 anos quando cometeu a violência, enquanto ela tinha 16. O abuso ocorreu durante um intercâmbio estudantil de Stranger na Islândia e, anos mais tarde, a história dos dois foi registrada pelo TEDTalk e transformada no livro South of Forgiveness, com lançamento previsto para março.

Thordis e Tom haviam iniciado um relacionamento que durou pouco mais de um mês. Segundo o relato da islandesa, a relação mudou durante uma festa de Natal da escola, quando ela ingeriu álcool pela primeira vez e ficou vulnerável. “Era como um conto de fadas, seus braços fortes ao redor do meu corpo, me colocando com segurança na minha cama”, lembrou Elva. A expectativa de que o namorado estivesse cuidando dela, porém, deu lugar ao abuso.

“Conforme ele tirava a minha roupa e se colocava sobre mim, minha cabeça começava a clarear, enquanto meu corpo permanecia fraco demais para lutar e a dor me cegava. ara ficar sã, contei silenciosamente os segundos do meu relógio. E desde aquela noite, sei que duas horas têm 7.200 segundos”, contou.

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Após o episódio, o relacionamento terminou e Stranger retornou à Austrália. Na época, ele afirmou que não reconhecia o que havia feito como estupro.

Nove anos depois, quando enfrentava um colapso nervoso, Thordis decidiu escrever para o ex-namorado. Na mensagem, explicou os efeitos que aquela noite havia deixado em sua vida. A troca de correspondências continuou até que os dois se encontraram novamente, quatro anos depois, na Cidade do Cabo.

Na primeira mensagem, Thordis afirmou que queria “encontrar o perdão”: “Percebi que este era o caminho para eu me livrar do meu sofrimento. Independente de ele merecer o meu perdão, eu merecia a paz. Há esperança depois de um estupro”.

O reencontro também fez Stranger rever a forma como havia interpretado o episódio durante anos. “Tenho vagas lembranças do dia seguinte. Eu rejeitei a verdade convencendo-me de que era sexo e não estupro. Foi uma mentira da qual me senti culpado. Dizer a Elva que eu a estuprei mudou o acordo que eu havia feito comigo mesmo, assim como o dela. Ninguém deve subestimar o poder das palavras”, afirmou.

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Ao falar sobre responsabilidade, Stranger também mencionou a forma como mulheres vítimas de violência costumam ser responsabilizadas pelos crimes que sofrem. “Mas o mais importante, a culpa da Elva foi transferida pra mim. Muitas vezes, a responsabilidade é atribuída a mulheres sobreviventes de violência sexual, e não aos homens que a cometeram. Fui criado em um mundo onde as meninas são informadas de que foram estupradas por alguma razão. Sua saia era muito curta, seu sorriso era muito grande, sua respiração cheirava a álcool. Mas eu era o culpado de todas essas coisas. Então, a vergonha tinha que ser minha”, declarou.

Ao compartilhar a experiência, Elva também defendeu uma mudança na maneira como o abuso é discutido. “Já é hora de parar de tratar violência s*xual como uma questão feminina”, acrescentou Elsa

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