A Polícia Federal identificou mensagens que indicam uma tentativa de garantir proteção a Daniel Vorcaro durante sua primeira passagem pela prisão, em novembro do ano passado. A conversa envolve Luiz Philippi Mourão, conhecido como “Sicário” e integrante do grupo de proteção do empresário, e Manoel Rodrigues, o “Manolo Dom”, apontado como suposto bicheiro do Rio de Janeiro. Segundo o relatório da PF, os envolvidos discutiram o acionamento de contatos ligados ao sistema prisional e fizeram referência às “três letras”, em menção atribuída pelos investigadores ao PCC.
As mensagens foram antecipadas pelo UOL e confirmadas pela Gazeta do Povo com pessoas próximas às investigações. Na época, Vorcaro estava no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.
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Durante a conversa, Sicário tratou com Manolo sobre a possibilidade de apresentar Vorcaro aos demais presos como alguém próximo e apoiador do grupo. Em uma das mensagens, escreveu: “Ele é amigo nosso e apoia nossa quadrilha e a nossa regional em diversos sentidos”.
Manolo, por sua vez, demonstrou preocupação com a permanência de Vorcaro no ambiente prisional. “O menino não aguenta a cadeia, vai quebrar psicologicamente se não sentir que tem gente olhando por ele lá dentro”, disse.
De acordo com o relatório da PF, também houve menções à possibilidade de contato com a Secretaria de Administração Penitenciária e com lideranças do crime organizado. Os investigadores, porém, não concluíram se essas articulações chegaram efetivamente a acontecer.
No dia seguinte à troca de mensagens, um advogado que, segundo a PF, teria sido acionado para transmitir o recado recebeu uma transferência de R$ 10 mil feita por Manolo.
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André Bergeralck, procurado pela Gazeta do Povo, confirmou a existência das mensagens. Ele afirmou ter uma relação de “antiga amizade” e sociedade com Manolo, mas negou ter atuado no caso de Vorcaro ou ter estado no CDP de Guarulhos. “É só olhar os registros do presídio. As próprias mensagens completas vão mostrar isso”, afirmou.
Segundo informações da Gazeta, a defesa de Daniel Vorcaro foi procurada para comentar as informações, mas não retornou ao contato.
As conversas foram incorporadas ao inquérito que investiga fraudes e outras ações ilícitas relacionadas à estrutura do Banco Master.


