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Poli Racing: equipe da USP forma futuros engenheiros para as pistas da F1

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Estudantes da USP constroem um carro de corrida e se preparam para competir na Fórmula SAE. (Foto: Instagram)

São Paulo – O Autódromo de Interlagos recebe, neste domingo (8/11), o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. A alguns quilômetros dos holofotes da prova, mas de olho no que ocorre nas pistas, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) se empenham, todos os anos, em construir um carro de corrida e sonham em chegar um dia ao topo do automobilismo.

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Os estudantes integram a Equipe Poli Racing, ligada à Escola Politécnica da USP. Criado em 2008, o grupo participa da Fórmula SAE, competição universitária de automobilismo.

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Desde então, diferentes gerações de alunos, divididos em várias funções, constroem do zero um carro de corrida para as disputas anuais. Alguns cuidam do motor; outros, dos freios, da suspensão e da aerodinâmica. Há também quem se responsabilize pelo design da equipe.

O atual capitão da Poli Racing é Renan Fernandes, estudante do sexto semestre de engenharia mecânica. Apaixonado por carros de corrida desde criança, ele também pilota pela equipe e tem o sonho de se tornar engenheiro automobilístico profissional.

“Eu acho que a Fórmula é o café com leite do motorsport, porque aqui você pode errar sem, por exemplo, ser demitido ou sofrer consequências, e isso é normal. A proposta é que a equipe some conhecimento. Todo mundo está aqui para aprender”, afirma Renan.

Para entrar na equipe, os candidatos passam por um processo seletivo conduzido pelos integrantes mais experientes, que também dão aulas e ajudam os novatos a se adaptar. O grupo tem a supervisão do professor Marcelo Augusto Leal Alves, do departamento de engenharia mecânica da Poli, mas são os próprios alunos que se mobilizam para resolver os problemas.

“Nem todo mundo vai para o automobilismo. Mas quem segue esse caminho vai com uma bagagem de conhecimento e experiência. Outra coisa interessante é aprender a lidar com a frustração. Acho que o automobilismo exige muito que você saiba enfrentar os problemas e encontrar rapidamente uma solução”, avalia Marcelo.

CRIADO DO ZERO E TESTADO AO LIMITE

A Fórmula SAE ocorre todos os anos em agosto. Durante um final de semana, assim como na Fórmula 1, carros e estudantes de diversas universidades do Brasil participam de uma bateria de testes. Especialistas avaliam os competidores e definem a equipe campeã.

Ao longo do ano, os estudantes conciliam a graduação com o trabalho na oficina para se preparar para a competição. A equipe estuda o regulamento da SAE, desenvolve o projeto do carro, calcula os custos, busca recursos com patrocinadores e, por fim, constrói e testa o veículo.

Como funciona a Fórmula SAE:

  • No Brasil, a 1ª Fórmula SAE ocorreu no ano de 2004. A competição é realizada anualmente em agosto e busca dar aos estudantes a oportunidade de aplicar na prática o que aprenderam em sala de aula.
  • Meses antes do torneio, os alunos enviam ao comitê organizador relatórios sobre custos, estrutura, atenuador de impacto e projeto. Engenheiros especialistas analisam os documentos, que já contam como a primeira etapa da avaliação.
  • No final de semana da disputa, os carros passam por testes estáticos e dinâmicos, que avaliam o desempenho de cada projeto.
  • A primeira fase inclui avaliações técnicas e de segurança. Os estudantes precisam, por exemplo, demonstrar que o piloto consegue sair do carro em até cinco segundos em uma emergência.
  • Também é necessário comprovar os custos e mostrar que todos os componentes seguem as regras da SAE. Depois, os veículos passam por inspeções, como um teste em plataforma inclinada para verificar estabilidade e possíveis vazamentos, além de análises de frenagem e ruído.
  • Os carros só seguem para a pista depois de aprovados nessas avaliações.
  • No asfalto, são realizadas quatro provas. A primeira ocorre em um trecho circular, para avaliar o carro nas curvas. Em seguida, há uma aceleração em linha reta e um teste de volta rápida com dois pilotos diferentes.
  • A última prova é disputada em um percurso de 22 km. Nela, os especialistas analisam a resistência do carro e a eficiência do consumo de combustível.

A construção do protótipo custa, em média, aproximadamente R$ 400 mil, incluindo materiais — muitos deles importados — e despesas operacionais. Para os jovens, ver o carro que projetaram ganhar forma e competir em nível nacional é motivo de orgulho.

“É uma sensação indescritível quando projetamos uma peça nova ou aplicamos algo diferente no carro. Por exemplo, durante essas etapas de testes, para poder usar a solução no próximo carro e fazer dar certo. A sensação é mágica”, descreve Renan.

SONHOS E SUPERAÇÕES

O realismo e a responsabilidade envolvidos no projeto ajudam a tornar realidade os sonhos desses futuros engenheiros. Assim como o capitão, o calouro Felipe Paz, projetista de direção da equipe, também espera trabalhar com automobilismo no futuro.

“O que fazemos aqui é algo que não se aprende na sala de aula. Não existe aula que simule estar na competição, uma peça quebrar e você ter que consertar na hora. É mão na massa”, conta o estudante.

Ele também ressalta as experiências compartilhadas com os colegas e as amizades que surgem durante o processo. Até estudantes que não são da Poli podem participar, como Camille Mayumi, que cursa matemática.

A jovem sonha em ser professora e não é uma grande fã de automobilismo. Ainda assim, aproveita o convívio com os colegas e o ambiente da equipe para sair da zona de conforto e enfrentar a timidez.

“Eu era uma pessoa muito retraída, tinha bastante vergonha, então pensei: isso pode me ajudar. A gestão de pessoas também é muito importante porque, querendo ou não, se você vai ser professora, vai lidar com muita gente. Então, foi principalmente para enfrentar essa timidez e encarar isso como um acréscimo, né?”, afirma.

Além da teoria da engenharia e dos resultados na classificação, a Poli Racing contribui para a formação pessoal dos estudantes. Renan vivencia a liderança, Mayumi encontra no projeto uma chance de superar desafios e Felipe persegue um sonho ao lado dos amigos.

Tags: automobilismo, carros, corrida, esportes, Fórmula 1, São Paulo, universidade, USP

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